Ter Nascido Numa Família De Pilotos Despertou-Lhe, “Inevitavelmente”, O Gosto Pelo Desporto Motorizado. E O Que Começou Por Brincadeira Haveria De Tornar-Se Num Assunto Sério. Tão Sério Que António Félix Da Costa Defende Actualmente O Título Mundial De Campeão Da Fia Fórmula E. O Campeonato Eco-Friendly Onde, À Boleia Do Piloto De Cascais, As Cores Da Bandeira Portuguesa Surgem Diversas Vezes No Lugar Mais Alto Do Podium.

É campeão mundial em título da Fia Formula E e atravessa um excelente momento na sua carreira, com uma vitória muito recente no Mónaco. Mas voltemos ao início: ter nascido numa família de pilotos traçou-lhe o destino?

Penso que, inicialmente, sim. Desde pequeno que em minha casa se viviam e respiravam corridas. E aos sete anos estava, inevitavelmente, a experimentar um kart. Mas nunca pensei muito nisso. Na altura, era apenas algo que eu gostava de fazer, mas depois, à medida que os resultados iam melhorando e fui evoluindo, o assunto tornou-se mais sério, e quando dei por mim, era mesmo o meu trabalho.

 

Imaginava, quando começou, chegar a este nível?

Sempre fui muito competitivo… Desde pequeno que, em qualquer coisa que fazia, gostava de dar tudo para vencer, portanto, sempre olhei para a competição e para as corridas com seriedade e com mentalidade vencedora. Mas, claro, uma coisa é vencer nos karts, outra é atingir o nível que atingi nos monolugares e os vários títulos que conquistei.

 

Não podemos falar em títulos sem mencionar o primeiro lugar no campeonato da Fia Fórmula E. Como foi ter-se sagrado campeão?

Foi especial! Foi o resultado de muitos anos de trabalho, dedicação e entrega a este desporto. Mas foi também o resultado de um grande trabalho de equipa. Todos os meus mecânicos, engenheiros e restantes pessoas ligadas à minha carreira me apoiaram e ajudaram muito a conquistar este titulo Mundial da Fórmula E.

 

Para além desse título, houve algum momento que tenha sido particularmente especial?

Todas as vitórias são especiais, mas se tiver de mencionar três momentos, diria a vitória no GP de Macau, o título da Fórmula E e a minha mais recente vitória no GP do Mónaco. Foram três grandes momentos!

E pessoas? Que pessoas foram ou têm sido importantes no seu percurso?

Todos as épocas aprendo muito com quem me rodeia, mas ter estado três anos a trabalhar directamente com o Sebastian Vettel, quando era piloto de reserva da Red Bull, tornou-me um piloto mais completo.

 

Com quem costuma partilhar vitórias e conquistas?

As vitórias são sempre vividas com a minha equipa, a minha família e os meus amigos. É com quem gosto de partilhar os momentos de sucesso.

 

Chegar a este nível é exigente. Qual é, exactamente, a fórmula que faz de si um campeão?

Sobretudo a força mental para nunca ir abaixo, o foco, e, mesmo nos momentos menos bons, ser capaz de manter a energia para ir à luta. Talvez sejam estas as minhas maiores armas.

 

Essa energia de que fala remete-nos para uma reportagem que foi produzida sobre si e que tem como título “nunca de folga”. O que significa, na prática?

Literalmente isso. Se queremos vencer, temos de fazer mais do que os nossos rivais… No ginásio, nas reuniões com os engenheiros, no trabalho no simulador, a preparar as corridas, e, claro, em pista. Portanto, se queremos vingar e ser campeões, não há folgas.

 

Apesar de algumas semelhanças, a Fórmula E é um desporto bem diferente da Fórmula 1. Qual é a sensação de conduzir um veículo exclusivamente eléctrico? É muito diferente?

Sim, sem dúvida! A Fórmula E é um conceito totalmente diferente da Fórmula 1. A título de exemplo, neste desporto, damos o máximo na qualificação, mas depois, durante a corrida, temos de conciliar a melhor velocidade com a gestão eficiente e perfeita de energia. É um trabalho muito diferente e, acima de tudo, entusiasmante. É um orgulho para mim representar Portugal num campeonato tão importante.

 

Na sua opinião, que futuro vê para os desportos motorizados, no contexto da sustentabilidade ambiental?

Penso que a Fórmula E tem tido um papel fundamental na mudança de mentalidades, no que diz respeito à sustentabilidade. Cada vez há mais marcas a entrar na competição e isso significa que estamos a passar a mensagem certa. Para além disso, grande parte da tecnologia que utilizamos e desenvolvemos na Fórmula E é depois trabalhada, adaptada e implementada nas gamas eléctricas das várias marcas para venda ao público. Os carros eléctricos vão ter um papel cada vez mais fulcral na nossa vida.

 

Acredita que a sua projecção pessoal pode também contribuir para mudar mentalidades, nomeadamente dos seus fãs e dos seguidores da modalidade?

Sim, claro que ajuda, sobretudo em Portugal. E o facto de eu ser português e o actual campeão do mundo, faz com que mais pessoas no país sigam a Fórmula E e cada vez com mais atenção.

 

E fora dos circuitos, o que faz nos poucos tempos livres que lhe sobram?

Por um lado, gosto muito de surfar e de treinar para me manter bem fisicamente, por outro, gosto de aproveitar o tempo em família e com amigos, para recarregar energia. Afinal de contas, são muitos dias longe e cada momento em casa é para aproveitar com quem mais gosto.

 

E a premissa “eco-friendly” é algo que está presente também na sua vida fora das pistas?

Sim, cada vez mais. Ando num DS 100% eléctrico e tenho uma scooter da NIU 100% eléctrica. Sou, cada vez mais, um adepto do 100% sustentável.

 

Quanto ao futuro, já conhecemos um dos seus objectivos para a temporada 7: manter o título. Que outras metas gostaria de alcançar?

A nível profissional, quero revalidar o titulo na Fórmula E e bater recordes nesta categoria. O nível é altíssimo, mas sinto-me muito forte e competitivo para ir à luta e trazer mais um título para Portugal. Além da Fórmula E, falta-me ainda ganhar as 24 horas de Le Mans, correr na Indy nos Estados Unidos e, quem sabe, um dia fazer um DAKAR. Pessoalmente sou um homem simples, feliz e realizado, mas claro que ter filhos e criar a minha família faz parte dos meus sonhos.

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