Pintura, música, gastronomia, alta escola equestre, a subida aos céus em aeróstatos, regatas de remo e corridas de barquinhos a vapor. Pic-nics na relva, saídos de malas de verga, chapéus para eles e para elas. Uma atmosfera dandy, a condizer com meio milhar de automóveis de colecção. Os Domínios de Chantilly renascem para a Arte e Elegância motorizadas.

“Já reparou? Fala-se cada vez mais de ‘veículos’… podíamos dizer ‘automóveis’, ‘viaturas’, ‘carros’, ou muito simplesmente chamar cada um pelo seu nome… Não: ‘veículo’. Somos contaminados pelo vocabulário dos economistas, dos estatísticos e da polícia”.

Quem assim desabafa é Richard Mille, o homem que em 1999 fundou a manufactura de alta relojoaria com o seu nome. “Esta contaminação – prossegue Richard Mille – é um grave sintoma, devido sem dúvida ao esgotamento e engarrafamento das nossas estradas, do caos citadino, de ambiente repressivo e de banalização do ‘produto’… E, no entanto, o automóvel, o verdadeiro, continua a fazer sonhar, atrai os olhares, por onde quer que passe. Sejam glórias desportivas, estradistas incansáveis ou limusines de outras eras, os automóveis mais belos evocam sempre a viagem e a vida”.

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Num ocaso soalheiro de final de Verão, estamos, frente a champanhe brut, num dos terraços do Castelo de Chantilly, a menos de uma hora de Paris, por auto-estrada.

Sobranceiros aos seus vastos jardins e praças, entrecortados aqui e ali por lagos e canais. E tendo como tapete, que tudo cobre, uma plêiade única de Bugatti, Jaguar, Bentley, Buick, Ferrari, Maserati, Alfa Romeo, Aston Martin, Mercedes, Panhar & Levassor, Isotta, Cadillac, Hispano Suiza, Lamborghini, Porsche, Lola, Mclaren, Rolls Royce…

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É a primeira edição do Chantilly Arts & Elegance, organizado pela Peter Auto e de que a marca relojoeira é o principal patrocinador.

Neste fim-de-semana, estão aqui mais de cem automóveis a concurso, em várias categorias, desde a beleza, o design ou estado geral do… veículo.

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Os principais clubes automóveis de França estão presentes em força, com cerca de 400 exemplares, mas não a concurso. Famílias inteiras, cão e gato incluídos, preferem sentar-se ao lado dos seus automóveis, sejam eles relíquias com mais de cem anos ou bólides acabados de abater à competição activa. Em ambiente descontraído, mas com código de vestuário recomendado. Fazendo pic-nics na relva, trocando impressões sobre o modelo que ainda falta na colecção ou apreciando o último restauro do amigo ou rival.

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O Chantilly Arts & Elegance Richard Mille pretende reviver em França a tradição dos Concours d’Elegance, organizados desde os anos 1920 até aos anos 1950, e depois interrompidos. E rivalizar com o outro grande encontro de automóveis vintage na Europa, o Concorso d’Eleganza Villa d’Este, em Itália.

O automóvel mais antigo presente, um Panhard & Levassor de 1891, ombreou com concept cars como Citröen Cactus, Divine DS, Giugiaro Parcour, Maserati Alfieri, McLaren 650S ou P1GTR, Peugeot Exalt, Porsche 918 Spyder ou Aston Martin Zagatto. Estes últimos, desfilando com as respectivas tripulações produzidas por costureiros como Ermenegildo Zegna, Jay Ahr , Alexandre Vauthier ou Thierry Mugler…

Os Domínios de Chantilly, que serviram de palco para o evento, albergam a segunda maior colecção de pintura de França, a seguir ao Louvre. A Peter Auto, ao trazer para aqui o encontro automóvel pretendeu reforçar a ideia de património e de cultura que também rodeia estas máquinas. O mesmo ambiente que rodeia a Alta Relojoaria suíça, argumento válido para que Richard Mille, ele próprio colecionador de carros clássicos, se entusiasmasse com o projecto.

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Toda a manhã de domingo foi dedicada a actividades paralelas – música clássica ou jazz ao vivo, passeios de barco, regatas de remo, baptismo de balão, pic-nic na relva ou corridas nos canais e lagos do domínio de Chantilly de modelos miniatura de barcos a vapor, alguns deles com tripulações de bonecos que se movem… preciosidades que entram de forma clara no capítulo da manufactura. Não admira que, para além de crianças e jovens, esta modalidade atraia muitos adultos…

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Seguiu-se um almoço de gala (da autoria de quatro chefs, todos eles “estrelas” Michelin) e, à hora do café, irrompeu pela sala um cavaleiro, literalmente a galope, por entre estreitos corredores de mesas e cadeiras, copos de cristal e garrafas magnum de champanhe. Fazendo uma breve demonstração de Alta Escola, ele convidava a ir para o exterior, onde as Écuries de Chantilly iriam fazer uma demonstração.

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O peso da leveza

A Richard Mille revolucionou, em pouco mais de uma década, o conceito de alta relojoaria. Desde logo, no ponto de vista estético, sendo das primeira marcas a assumir a tridimensionalidade. Depois, inspirando-se no arrumo dos calibres como se fossem motores de carro. Finalmente, usando materiais compósitos, vindos das indústrias automóvel e aeronáutica, tornou a leveza do relógio um argumento de peso, perdoe-se o trocadilho…

Se, até à chegada da Richard Mille, a percepção do bom e caro era também associada a “pesado”, a partir das criações RM o ultra-leve passou a ser argumento de preço, e de que maneira…

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Richard Mille

RM 50-01 G Sensor Lotus F1 Team Romain Grosjean.

Edição limitada de 30 exemplares. Cronógrafo de carga manual, de roda de colunas, com sensor de gravidade. A Richard Mille é desde 2013 parceiro oficial da equipa de F1 da Lotus. Surge assim um relógio dedicado a um dos pilotos, o franco-suíço Romain Grosjean. Vem equipado com calibre da manufactura, turbilhão, esqueletizado. Caixa de 50 x 42,7 x 16,4 mm, de carbono, com ou sem apontamentos de ouro vermelho nos lados, estanque até 50 metros. Autonomia de 70 horas. Platina e pontes de titânio e aço. O indicador de Força G assinala os Gs acumulados pelo portador do relógio durante uma desaceleração rápida, indicando se ela está dentro dos limites de segurança ou os ultrapassa. Vidro de safira na frente e no verso.

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Richard Mille

RM 35-01 Rafael Nadal

O calibre usado, RMUL3, foi testado para resistir a choques extremos, superiores a 5 mil Gs. É feito de titânio e está esqueletizado. Tem duplo tambor de corda e autonomia para 55 horas. No total, pesa apenas 4 gramas. Caixa de 49,94 x 42 x 10,05 mm, de carbono.

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Richard Mille

Tourbillon RM 36-01 Competition G-Sensor Sébastien Loeb

Resultado da cooperação com o piloto com o maior palmarés de sempre no Campeonato do Mundo de Ralis (nove vezes vencedor).  É o desenvolvimento do anterior, o RM 036. Edição limitada de 30 exemplares. Calibre de carga manual, turbilhão, esqueletizado, com platina e pontes de titânio. Sensor de Gs e indicador de reserva de corda. Autonomia de 70 horas. Caixa de 47,7 mm, de cerâmica, fibra de carbono e titânio. O sensor de Gs mede os Gs acumulados pelo piloto durante as diferentes fases de condução, desde acelerações e desacelerações rápidas até forças laterais.