Oriunda de uma família com grande tradição na arte joalheira, Carolina Bucci desenha jóias que aliam essa herança a uma contemporaneidade e versatilidade sublimes. Peças que surpreendem pela cor e simplicidade, sem nunca descurar a qualidade obrigatória de um item de alta joalharia, que agora chegam a Portugal pela mão da Boutique dos Relógios Plus.

Como é que se tornou designer de jóias? Foi algo que sempre desejou?

Na realidade não foi bem uma decisão na verdadeira acepção da palavra. Desenho as minhas peças desde muito nova e sempre que podia pedia aos ourives das oficinas da minha família para fazerem experiências com as minhas ideias. A dada altura, essas experiências começaram a dar lugar a algo que podia ser considerado uma colecção e, mais ou menos por volta dessa altura, terminei o curso na F.I.T em Nova Iorque.

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As suas jóias aliam tendências e moda actual com tradição e herança. Como alcança este equilíbrio?

As jóias da minha família sempre foram muito tradicionais e o meu objectivo quando comecei a desenhar peças era o de encontrar algo que fosse mais relevante para o meu estilo de vida. Sobretudo depois de deixar Florença e passar alguns anos em Nova Iorque. Mas claro que o equilíbrio não é assim tão óbvio ou fácil de alcançar… Penso no universo da joalharia como no mundo da moda, com uma aplicação em câmara lenta ligada. Existem tendências definidas e estas podem ser afectadas pela moda, mas a natureza dos materiais e, claro, os custos de produção fazem com que essas tendências sejam bem mais permanentes. Para mim, as influências da moda são muito ténues – cor e silhueta são importantes. Realmente folheei várias revistas de moda o ano passado quando pensei em reintroduzir gargantilhas na colecção Superstellar. Mas a ideia de que o design de jóias pode interligar-se com a moda ocorre fora do círculo da alta joalharia, penso eu. Algo mais bijuteria, que é um mundo que me fascina, dado ser totalmente diferente daquilo que faço.

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Utiliza as mesmas técnicas usadas pelo seu bisavô. Quais os principais valores que aprendeu com a mestria artesanal?

O mais importante foi o respeito pela produção da joalharia. Pelo metal e pedras e pela forma como precisam ser fundidos e moldados. É quase como se tratasse de engenharia. Cresci com o meu pai à volta das bancadas dos joalheiros – o cheiro dos químicos e os sons das ferramentas, e o calor dos maçaricos. Tudo isto está na minha cabeça quando desenho as minhas colecções.

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De onde retira inspiração?

Desde a minha vida, às viagens, passando pelo estilo de pessoas que admire e pela confiança de uma escolha de um determinado acessório que vejo numa mulher na rua. As inspirações não cessam. A parte difícil é editar. Acho que costumava ser culpada por tentar fazer colecções com muita coisa ao mesmo tempo. Tenho sempre que lutar para parar de desenhar e redesenhar…