Crónicas – Revista Turbilhão https://turbilhao.pt A Arte de Viver o Tempo Tue, 20 Sep 2016 13:39:23 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.4.2 O mistério das garoupas https://turbilhao.pt/misterio-das-garoupas/ Tue, 20 Sep 2016 08:45:31 +0000 http://turbilhao.esy.es/?p=9755 Um mergulho de 24 horas dedicado à ciência e conhecimento Esta é a história de uma aventura científica e mergulho recorde num remoto paraíso polinésio. Um lugar onde milhares de garoupas mascaradas, seguidas por centenas de tubarões, se juntam em segredo uma vez por ano. A equipa de Laurent Ballesta quis ter um melhor conhecimento […]

O artigo O mistério das garoupas aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>

Um mergulho de 24 horas dedicado à ciência e conhecimento

Esta é a história de uma aventura científica e mergulho recorde num remoto paraíso polinésio. Um lugar onde milhares de garoupas mascaradas, seguidas por centenas de tubarões, se juntam em segredo uma vez por ano. A equipa de Laurent Ballesta quis ter um melhor conhecimento sobre o que leva estes peixes a esperar pelo dia exacto da lua cheia para se reproduzirem simultaneamente! Com a ajuda dos investigadores do CNRS em Moorea, fizeram diversos mergulhos e conduziram inúmeras experiências para estudar e testemunhar este fenómeno único. Aproveitando este período incrivelmente rico, Laurent Ballesta fez um mergulho recorde de 24 horas.

São três da tarde e o sol brilha sobre a água turquesa. Estou sentado no pontão de um barco semi-rígido e preparo-me para mergulhar durante 24 horas. Pela primeira vez na minha vida, antes de entrar na água, posso dizer “Adeusinho e até amanhã” aos meus companheiros.

_MG_5430E é quando realmente o digo que avalio a extensão da minha loucura: Vou mesmo mergulhar durante 24 horas, e não vou emergir da água antes desta mesma hora amanhã. Estou totalmente determinado. (…)

Nada é mais importante do que o tempo quando se trata de resolver o “mistério das garoupas”. É um mistério ao mesmo tempo subtil e complexo. O que espero testemunhar é o encontro de todas as garoupas mascaradas (Epinephelus polyphekadion) no atol de Fakarava, a 490 km nordeste do Taiti. O encontro tem lugar nesta localização única que liga a lagoa ao oceano: um canal que forma uma fenda na barreira de recifes de coral, um pequeno portão entre a vasta lagoa e o maior oceano do mundo. Nesta indentação, as correntes são violentas mas previsíveis: seguem a maré e a lagoa, enchendo e vazando a cada seis horas. Os animais vivem de acordo com este ritmo.

Panorama de 6169 … 6180Uma vida intensa como em nenhum outro lugar, no meio de acordos de coabitação nem sempre simples. Viver aqui é tão benéfico como perigoso: comer sem ser comido, enfrentar os predadores de modo a conseguir reproduzir. O canal acelera todos os processos. Do tamanho de dois ou três campos de futebol, esta área é oceano puro concentrado. Um desfiladeiro paraíso, e uma armadilha para garoupas com a chegada em massa de tubarões cinzentos dos recifes. Porquê vir aqui reproduzir-se? O canal apresenta a forma de um funil, ideal para uma emboscada. Na realidade, as garoupas não têm escolha: vêm em busca da única corrente forte o suficiente para disseminar os seus ovos pelo oceano, da mesma forma que as flores precisam do vento para disseminar o pólen.

Estou debaixo de água há apenas três horas a observar cardumes de garoupas: o maior encontro de sempre, com cerca de 18.000. São seis da tarde e a luz começa a desvanecer. À superfície o sol deve estar a pôr-se. A noite caiu e tenho 12 horas de escuridão pela frente. Os peixes mudaram de cor. Vestiram realmente os pijamas, dada a incrível diferença na sua indumentária do dia para a noite.

Meia-noite, e as garoupas dormem há seis horas. Estão escondidas da forma como podem. São tantas que não há fendas suficientes no recife para as abrigar a todas. E os tubarões patrulham a zona. Johann, um especialista em tubarões, fez repetidas contagens quase todos os dias desde que chegámos. Ele acha que existem cerca de 700 no canal. A água está eléctrica. Durante o dia, o turbarão está calmo e descansa na corrente. Sabe bem que as garoupas são muito rápidas. O tubarão aguarda o momento ideal, depois do cair da noite, quando as garoupas são forçadas a descansar. Os tubarões já não estão em águas abertas. Desceram e amontoam-se às centenas no fundo do mar.

Yanick juntou-se a mim por algumas horas com a sua câmara especial de câmara lenta Phantom, capaz de tirar 1000 imagens por segundo. Um frenesim violento e caótico explode perante ele. Mas a mesma cena, quando vista em camara lenta, irá mostrar-nos a eficiência e precisão do ataque dos tubarões. Devoram as garoupas às centenas, talvez aos milhares: outro factor que agudiza ainda mais o nosso “mistério das garoupas”. Parece que o encontro todavia funciona, que este campo de reprodução vale a pena apesar dos riscos e que as garoupas conseguiram resolver a equação entre sacrifício e beneficio a seu favor
(…)

A corrente inverte uma última vez e começa a entrar na lagoa, ao mesmo tempo que me deixo levar por ela. São quase três da tarde e a aventura está quase a terminar. Estou debaixo de água há mais de 23 horas. Os minutos finais aproximam-se, mas não tenho pressa que acabe. A lua-cheia chegou finalmente, o dia em que as garoupas se devem reproduzir. Desde os primeiros minutos deste mergulho uma coisa parece óbvia: o ecossistema mudou. Os fuzileiros, um tipo de sardinha tropical, apareceram às dezenas de milhar. Estes também sabem que algo vai acontecer. A excitação das garoupas também é inusual, mas depois de semanas de confrontos, uma certa organização espacial estabeleceu-se.
(…)

DSC_1179 repro des m‚rous horizontal allong‚E de repente, tudo acontece! Grupos de garoupas disparam e a reprodução começa realmente, embora infelizmente muito longe e rápida para podermos ver os detalhes. Os fuzileiros, cada vez mais, bloqueiam o horizonte. A nuvem de ovos e sémen começa a aparecer e os fuzileiros apressam-se a engoli-la. Reina o pandemónio no fundo do canal. As garoupas saltam aqui e ali, enquanto os fuzileiros estão em todo o lado e os tubarões mergulham na confusão mas reemergem de “mãos vazias” a maioria das vezes. O acto dura menos de um segundo e não tenho tempo sequer para compreender o que está a acontecer. Duas coisas, contudo, parecem certas: é sempre um grupo de cerca de uma dúzia de garoupas que salta do fundo do mar, nunca um único casal; e é a anarquia, as leis da sobrevivência do mais forte, que parece prevalecer.

(…) O “mistério das garoupas” permanece intacto. Semanas de luta, mas quando chega a hora da reprodução, não se parece aplicar qualquer regra: todos os machos, vencedores e vencidos, saltam em direcção à fêmea que coloca os seus ovos e todos parecem ter a mesma oportunidade de a fecundar. (…)

Uma vez mais, Yanick está no lugar certo à hora certa. Aponta a sua câmara especial a uma sessão de reprodução estupenda, um momento da vida que dura apenas um segundo, mas um segundo que mais tarde se tornarão 40 segundos com a magia da câmara lenta. E em câmara lenta tudo se torna claro: é óbvio que na realidade apenas um macho inicia a cerimónia de acasalamento com a fêmea, segurando-a corpo a corpo o máximo de tempo possível. Na verdade, não ganhou direitos exclusivos, apenas a hipótese de ser o primeiro da fila, porque os outros machos já convergem para o casal. Este ser privilegiado é o macho dominante, cujo estatuto é o derradeiro prémio depois de quatro semanas de batalhas implacáveis. E tem apenas o benefício desta liderança curta que lhe permite satisfazer-se antes dos outros machos oportunistas avançarem e inundarem o palco com o seu sémen, mas um microssegundo tarde demais.

_AJC5291Esta foi a chave para perceber o “mistério das garoupas”: uma hipótese de observar in loco como tudo funciona por uma fracção de segundo e descobrir, graças à câmara lenta, a existência de uma hierarquia, fugaz mas respeitada, prova de uma organização meticulosa, embora invisível a olho nu. Passei 24 horas debaixo de água quando na realidade tudo se tornou claro numa fracção de segundo! Gosto de pensar que foi necessário, que devemos levar o nosso tempo se desejarmos capturar o momento.
(…)

 


2 - Fifty Fathoms Collection_1 - Bathyscaphe_2 - Pictures_1 - 5000-0240-O52A PRBlancpain Fifty Fathoms

Foi o Fifty Fathoms, o primeiro relógio de mergulho moderno, que estabeleceu a íntima ligação da Blancpain ao oceano. Hoje, a marca é uma apoiante fervorosa das iniciativas de protecção dos oceanos, através do Blancpain Ocean Commitment, um compromisso manifestado através do apoio e parcerias com organizações e os seus projectos, incluindo as Expedições Gombessa de Laurent Ballesta.


♦ Saiba mais na edição impressa da Turbilhão

O artigo O mistério das garoupas aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>
Horas do Mundo https://turbilhao.pt/horas-do-mundo/ Fri, 01 Nov 2013 12:18:30 +0000 http://http://turbilhao.esy.es/?p=737 Seja profissionalmente ou em privado, fazer longas viagens, principalmente de avião, neste mundo globalizado, é algo que passou definitivamente a fazer parte das nossas vidas. Além da facilidade que há hoje em nos deslocarmos para longe, existe igualmente uma grande variedade de meios de comunicação, que nos permitem contactar facilmente, com aqueles que ficaram “em […]

O artigo Horas do Mundo aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>

Seja profissionalmente ou em privado, fazer longas viagens, principalmente de avião, neste mundo globalizado, é algo que passou definitivamente a fazer parte das nossas vidas.
Além da facilidade que há hoje em nos deslocarmos para longe, existe igualmente uma grande variedade de meios de comunicação, que nos permitem contactar facilmente, com aqueles que ficaram “em terra”. Quando viajamos, é bastante frequente mudarmos de fuso horário.

Este sistema, criado em 1884, para unificar o sistema de tempo, divide o planeta em 24 fusos horários, sendo que o meridiano de referência é o de Greenwich. Até essa altura, cada cidade ou localidade, tinha a sua própria hora, que era estabelecida segundo a hora solar local. Pode-se facilmente imaginar o “caos”, por exemplo, nas relações comerciais, que seria hoje em dia, se esse sistema permanecesse em vigor…A partir dos anos 50 do século passado a aviação civil teve um desenvolvimento exponencial, de tal modo que, por razões de segurança, os pilotos adoptaram como hora de referência, a hora do meridiano zero, ou seja, o Tempo do Meridiano de Greenwich (GMT), e é a partir desse momento que as marcas relojoeiras começam a desenvolver relógios com a possibilidade de ter dois fusos horários diferentes no pulso.

Para se ler o tempo em vários fusos horário ao mesmo tempo, as marcas desenvolveram diversos sistemas.

 

Função fuso horário

Um dos sistemas mais simples que existe actualmente, não permite mostrar duas horas diferentes em simultâneo, pois dispõe apenas dos tradicionais três ponteiros (horas, minutos e segundos), sendo que o ponteiro de horas pode ser movimentado,

independentemente dos outros dois, de maneira a não se perder o minuto e os segundos, a cada vez que se muda a hora, com a mudança de fuso.

O modelo Seamaster Aqua Terra 150m Co-axial da Omega é um excelente embaixador deste tipo de função.

5717BR_EU_9ZU

Duplo fuso horário

O sistema mais utilizado pela maioria das marcas possui um ponteiro de horas adicional, permitindo ler-se as horas de dois fusos horários diferentes. Regra geral, o ponteiro adicional é um ponteiro de horas que demora 24 horas a dar uma volta completa ao mostrador.

Para que a leitura das horas desse ponteiro possa ser feita, existe no mostrador ou na luneta (rotativa ou não), uma escala com a indicação das 24 horas.

Quando o utilizador está no seu país de origem, os dois ponteiros de horas devem estar sincronizados, isto é, devem apresentar a mesma hora. Como o ponteiro das horas “normal” pode ser movimentado de maneira independente, através de saltos de uma hora, em relação aos restantes ponteiros, quando se muda de fuso horário, o ponteiro de horas “normal” assume a nova hora, enquanto o ponteiro de 24 horas (ponteiro GMT) mantém a hora da origem. Outros sistemas foram feitos, sendo um dos primeiros, um relógio com duas máquinas independentes, em que cada uma tinha o seu jogo de ponteiros, marcando horas diferentes. Não deixava de ser um inconveniente, quando as máquinas deixavam de ter a mesma precisão em medir o tempo!

Com o modelo Hora Mundi, a casa Breguet inventou, aquele que é sem dúvida o expoente máximo dos sistemas com duplo fuso horário. Este modelo permite escolher duas cidades, entre 24 cidades, correspondentes a outros tantos fusos horários, e passar automaticamente de uma para a outra, através de uma simples pressão no botão colocado nas “8”. O Hora Mundi possui ainda uma indicação dia/noite, para se saber, por exemplo, se o relógio indica 10h ou 22h.

GF05_orR_face_gamme 2013_A4_RVB

Hora universal

Este tipo de sistema é facilmente reconhecível porque, num disco, no mostrador ou na luneta, estão inscritas, até 24 cidades, representando cada uma delas, um fuso horário diferente. Desta maneira, tem-se uma visão geral dos 24 fusos e, com um simples olhar, sabe-se a hora exacta em cada parte do mundo.

Consoante o sistema, pode ser um disco com as cidades inscritas que roda ao ritmo de uma volta em 24 horas em relação a uma escala (ela também) de 24 horas ou, pode ser o contrário, isto é, cidades fixas e escala móvel. Alguns deste sistema, permitem alterar a posição do ponteiro das horas, sem interferir nos minutos e segundos, para o colocar na hora do novo fuso horário.

Como exemplo maior neste tipo de indicação, a Greubel & Forsey, desenvolveu um relógio que é um misto de GMT (indicação de segundo fuso horário) e horas universais.

GF05_orR_fond_gamme 2013_A4_RVB

As indicações são feitas através de três elementos: nas 10h, a indicação GMT, entre as 7 e as 8h um globo terrestre e no verso do relógio, um disco com 24 cidades, representado outros tantos fusos horários. A apresentação deste disco é inédita, pois indica as horas de verão e de inverno, das cidades que as adoptam. O globo terrestre é atracção principal, sendo que podemos através de uma janela lateral da caixa, ter uma visão de parte do hemisfério sul.

O globo roda no seu sentido natural, ou seja, no sentido anti horário e, como é normal, dá uma volta em 24 horas. A circundar o globo, existe uma escala com as 24 horas inscritas, para que se possa ter uma percepção dos fusos horários em tempo real.

O artigo Horas do Mundo aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>
Vedantes…para vedar! https://turbilhao.pt/vedantespara-vedar/ Mon, 08 Jul 2013 12:10:44 +0000 http://http://turbilhao.esy.es/?p=728 Além das questões relacionadas com a qualidade dos materiais, a precisão de fabricação, o desenho dos componentes, o que é certo é que se a água e/ou poeiras não entram dentro das caixas dos relógios é porque são utilizados vedantes em todos os lugares onde existem “aberturas” na caixa. Seja no vidro, no fundo, na […]

O artigo Vedantes…para vedar! aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>

Além das questões relacionadas com a qualidade dos materiais, a precisão de fabricação, o desenho dos componentes, o que é certo é que se a água e/ou poeiras não entram dentro das caixas dos relógios é porque são utilizados vedantes em todos os lugares onde existem “aberturas” na caixa.

Seja no vidro, no fundo, na coroa ou noutros botões, a presença de vedantes nesses elementos é essencial para preservar a máquina, o mostrador e os ponteiros, das “agressões” causadas pela humidade ou pelo pó. Salvo algumas (poucas) excepções, estamos a falar de elementos com um custo de produção irrisório, mas cujo benefício é enorme. Visto serem invisíveis, muito raramente pensamos neles, a não ser quando já é tarde demais…

Estes elementos são fabricados a partir de matérias da família dos plásticos (Termoplásticos) e das borrachas (Elastómeros), tais como: Hytrel, Zytel, Teflon, Nylon, borracha natural ou sintética. Os termoplásticos são sempre utilizados em conjunto com os vidros e em muitos dos fundos de pressão. A este material pede-se que tenha a resistência mecânica dos plásticos, a flexibilidade das borrachas e que, ao nível da produção, tanto possa ser feito por injecção como maquinado.

Vedante do vidro
Vedante do vidro

No caso das borrachas, estas são sempre utilizadas nos fundos roscados, nas coroas pistões, válvulas de hélio e correctores. A maioria dos fundos aparafusados possui um vedante de borracha. Os mais utlizados são os tóricos de forma redonda, comumente chamados de O-ring, mas todas as formas são possíveis de realizar, visto poder ser fabricado por injecção. A este tipo de vedante pede-se que suporte grandes deformações e que não se molde facilmente, isto é, que depois de deformado recupere a sua forma inicial.

Vedante do Fundo
Vedante do Fundo

Estas matérias estão presentes em diversos objectos do nosso dia-a-dia e quantos de nós já não teve um que se danificou por estar ressequido? No caso dos relógios é idêntico. Estes finos e delicados vedantes precisam de ser substituídos periodicamente pois também eles vão alterar-se, perder as suas qualidades e deixar de vedar a partir de certa altura. A luz do sol, a humidade, a água salgada, as variações de temperatura, os solventes, perfumes, cremes de beleza, são tudo factores que vão ajudar a deteriorar os vedantes. E, quanto mais vezes subtermos um relógio a este tipo de agentes, mais rapidamente de adulteram. Se para algumas pessoas, substituir os vedantes a cada revisão geral é suficiente, outras deverão fazê-lo todos os anos se, por exemplo, praticarem mergulho.

4_O-Ring_732

Coroa de rosca
Coroa de rosca

Outro elemento a ter em consideração (e muita!) e que nada poderá a ter com a condição do vedante, é quando a coroa ou um pistão está torto. A partir desse momento, o veio interior está desviado e o vedante que nele está colocado também o está e poderá não desempenhar a sua função correctamente, deixando de vedar.

O artigo Vedantes…para vedar! aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>
Precisão a dobrar! https://turbilhao.pt/precisao-a-dobrar/ Wed, 20 Feb 2013 12:03:27 +0000 http://http://turbilhao.esy.es/?p=724 O turbilhão, como complicação de exceção, tem vindo a ser reinventado, de maneira a que a invenção de Abraham-Louis Breguet se adapte cada vez mais ao relógio de pulso, continue a proporcionar novos desafios técnicos e principalmente, meça o tempo com maior precisão. O duplo turbilhão, que abordamos neste número, é disso mesmo um exemplo. […]

O artigo Precisão a dobrar! aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>

O turbilhão, como complicação de exceção, tem vindo a ser reinventado, de maneira a que a invenção de Abraham-Louis Breguet se adapte cada vez mais ao relógio de pulso, continue a proporcionar novos desafios técnicos e principalmente, meça o tempo com maior precisão. O duplo turbilhão, que abordamos neste número, é disso mesmo um exemplo.

Para melhor explicar este tipo de mecanismo, escolhi três relógios, cujas soluções técnicas utilizadas são diferentes. O Breguet 5347 (Classique Grande Complication) e o Roger Dubuis Excalibur (Double Tourbillon Volant Squelette) apresentam dois turbilhões completos que funcionam de maneira independente, onde a marcha final é a média das duas marchas dos turbilhões. Entre estes dois modelos existe uma importante diferença, enquanto no Roger Dubuis os turbilhões têm uma posição fixa na máquina, no Breguet (fotografia em baixo) estes estão colocados numa platina central que é móvel, rodando à razão de uma volta em doze horas.

Ou seja, ao mesmo tempo que as “gaiolas” rodam sobre si próprias (1 volta por minuto), estas efetuam um movimento de “translação” à volta do eixo central da máquina, melhorando a sua “performance” na medição do tempo. Mas, para que estes dois turbilhões recebam, de maneira igual, a força transmitida pela corda e restituam aos ponteiros, o resultado (média) de duas marchas diferentes, era preciso equipar estes relógios com um dispositivo, que permite com que tudo isto seja possível: um diferencial. Estou a falar de algo está presente em qualquer tipo de automóvel, mas que no relógio atinge dimensões “microscópicas” e que são bem mais complexas.
Só para lembrar, num automóvel, o diferencial permite que a potência que chega a cada um dos eixos de tração seja idêntica, mesmo que o trajeto que cada roda efetua seja diferente, quando se está em curva.

No caso da Greubel & Forsey, esta temática foi abordada de outra maneira. Enquanto, nos casos já apresentados o objetivo era melhorar a precisão, juntando mais um turbilhão, com o “Double Tourbillon 30º” procurou-se resolver a melhoria da precisão de outra maneira. Como é sabido, os turbilhões foram criados para “impedir” que a marcha do relógio, quando este está numa qualquer posição vertical, seja afetada pelos efeitos da gravidade, sobre os desequilíbrios do conjunto balanço-espiral. Ou seja, quando um relógio está na horizontal, o turbilhão não está a “desempenhar” a sua função, não efetuando qualquer compensação. Após 4 anos de pesquisa, a Greubel & Forsey apresentou a sua primeira invenção, que consistiu em colocar um turbilhão dentro de um outro.

Na realidade, neste sistema não existem dois balanços, mas sim um balanço e duas gaiolas ou seja, um turbilhão e uma segunda gaiola. O turbilhão (completo) encontra-se no interior e o seu eixo está inclinado de 30º em relação ao eixo da segunda gaiola. Estes dois elementos apresentas diferentes velocidades de rotação, sendo que o primeiro efetua uma rotação num minuto, o segundo, demora 4 minutos a efetuar uma rotação completa.

A conjunção destes dois elementos, inclinação de 30º e diferentes velocidades de rotação, pretende anular as variações de marcha devidas à atração terrestre, isto para todas as posições que um relógio de pulso pode tomar. Com este dispositivo, o balanço raramente estará na horizontal, estando o turbilhão sempre a compensar.

Como se pode constatar, para se melhorar a precisão de marcha de um turbilhão, não basta apenas, juntar mais um. O desfio técnico tornou-se bastante complexo, tendo sido necessário, num dos casos realizar um micro diferencial de alta precisão e no outro colocar um turbilhão dentro de outro.

O artigo Precisão a dobrar! aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>
Indicação do Calendário https://turbilhao.pt/indicacao-do-calendario/ Tue, 03 Jul 2012 11:27:50 +0000 http://http://turbilhao.esy.es/?p=710 As divisões do tempo (data, dia, mês, fases da Lua, ano, etc.) que nos são dadas pelos calendários são uma informação útil, que desde muito cedo se aplicou aos relógios, tornando-se, aliás, na complicação mais frequentemente utilizada em relojoaria. No séc. XVI, são construídos, em catedrais, os primeiros relógios astronómicos. Estes relógios, bastante complicados, dão […]

O artigo Indicação do Calendário aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>

As divisões do tempo (data, dia, mês, fases da Lua, ano, etc.) que nos são dadas pelos calendários são uma informação útil, que desde muito cedo se aplicou aos relógios, tornando-se, aliás, na complicação mais frequentemente utilizada em relojoaria.

No séc. XVI, são construídos, em catedrais, os primeiros relógios astronómicos. Estes relógios, bastante complicados, dão indicações múltiplas sobre os movimentos dos astros e o calendário. A indicação do calendário começa a ser utilizada no séc. XVII nos relógios de bolso e, no séc. XX nos relógios de pulso.

As indicações das divisões do tempo poderão ser feitas de três maneiras: por ponteiros, por discos ou por um misto dos dois. Quanto ao funcionamento, todos os mecanismos, sejam eles de indicação única ou múltipla, vão “buscar” a energia necessária para fazer “saltar” os seus discos e ponteiros à roda de horas. É nesta roda, situada, na grande maioria dos casos, no centro do movimento do relógio, que é cravado o ponteiro das horas. Como quase todos os mostradores estão divididos em doze horas, o ponteiro e a roda das horas, efectuam 2 voltas por dia ao mostrador. Visto as indicações da data, dia e Lua efectuarem um salto por dia, o movimento da roda que os fará “saltar” deverá ser desmultiplicado, face ao da roda das horas.

Para isso, como é visível na imagem (1), a roda arrastadora (Z4) deverá ter o dobro dos dentes da roda de horas (Z1). Podemos, igualmente, ver que o disco de calendário necessita de um posicionador (7 – saltador) que mantém o disco imóvel e centrado na janela do mostrador. É o dedo de arraste (5), por não ser retráctil nalguns mecanismos, que facilmente é danificado, quando se pretende fazer a correcção dos indicadores da data, quando estamos perto do momento do salto, ou seja, da meia-noite. Por isso se diz com frequência para não se efectuarem correcções da data entre as 21h00 e as 03h00, mas apenas quando o ponteiro das horas se encontrar na parte inferior do mostrador.

Imagem 1
Imagem 1

Consoante o tipo de movimento efectuado pelos discos ou ponteiros no momento da passagem, os mecanismos são classificados da seguinte maneira: arrasto, semi-instantâneo e instantâneo. O sistema mais utilizado é o semi-instantâneo, pois acaba por ser aquele que é constituído por menos peças e menos complexas. O sistema instantâneo é o mais preciso e que permite que o salto seja efectuado num movimento único, numa fracção de segundos. Devido à sua precisão é também o mais oneroso. O mecanismo por arrasto é raramente aplicado.

Num relógio com calendário simples (data) ou duplo (dia e data), é possível fazer a correcção rápida do dia do mês e do dia da semana, através da coroa. Mas, para três, quatro ou mesmo cinco indicações do calendário, existe a possibilidade de corrigir cada um deles através de pequenos botões (correctores) que estão colocados na parte lateral da caixa. Actualmente, é possível encontrar relógios com os correctores “escondidos” debaixo das asas.

Alguns dos mecanismos de calendário, devido ao número de peças que os constituem e às funções que desempenham, fazem parte dos sistemas mecânicos mais complexos no mundo da relojoaria. Falo, como é óbvio do calendário perpétuo. Na relojoaria de uso pessoal, especialmente nos relógios de pulso, este mecanismo continua a ser algo que fascina todos aqueles que amam esta arte e se questionam como tantas peças e tão pequenas são capazes de nos indicar a data, o dia, o mês e o ano, tendo em conta a duração de cada mês, mesmo a do mês de Fevereiro num ano bissexto.

Termino este artigo com uma pequena curiosidade sobre as fases da Lua. Na grande maioria dos casos, o sistema escolhido para apresentar as fases da Lua, está baseado num disco dentado (59 dentes) com duas Luas representadas. Uma volta completa do disco representa dois meses lunares. Acontece que, desta maneira, está-se a dar uma duração de 29,5 dias ao mês lunar, quando na realidade este é um pouco mais longo (29,53 dias). Ou seja, cada mês o sistema “esquece-se” de cerca de 44 minutos, ao final de um ano de cerca de 9 horas e de 1 dia ao fim de três anos.

O artigo Indicação do Calendário aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>
Mecanismo Surpreendente https://turbilhao.pt/mecanismo-surpreendente/ Wed, 02 Nov 2011 11:53:02 +0000 http://http://turbilhao.esy.es/?p=721 Na rubrica “Técnica” pretende-se falar disso mesmo, ou seja, dar ao leitor uma visão mais “tecnicista” sobre temas relojoeiros. No primeiro número da “TURBILHÃO”, outro tema seria difícil de abordar… O turbilhão foi inventado em 1801, por aquele, que é considerado por muitos (também me incluo no lote), o maior génio da relojoaria, Abraham-Louis Breguet. […]

O artigo Mecanismo Surpreendente aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>

Na rubrica “Técnica” pretende-se falar disso mesmo, ou seja, dar ao leitor uma visão mais “tecnicista” sobre temas relojoeiros. No primeiro número da “TURBILHÃO”, outro tema seria difícil de abordar…

O turbilhão foi inventado em 1801, por aquele, que é considerado por muitos (também me incluo no lote), o maior génio da relojoaria, Abraham-Louis Breguet.

Nessa época, já se fabricavam relógios que mediam o tempo com elevada precisão. Refiro-me, por exemplo, aos cronómetros de Marinha, cujas dimensões e características técnicas (tipo de escape, posição de trabalho, etc.) eram impossíveis de aplicar no relógio de uso pessoal, como era nessa altura, o relógio de bolso. Apostado em ganhar esta batalha da precisão, Breguet imaginou um dispositivo que compensasse o maior factor de perturbação da marcha, que é o desequilíbrio do conjunto balanço-espiral.

Como o centro de gravidade, desse conjunto, se desloca constantemente, a cada movimento oscilatório do balanço, este vai influenciar a marcha do relógio, sempre que este esteja noutra posição, que não na horizontal.

A sua influência será tanto maior, quanto maior for o valor do desequilíbrio e quanto menor for a amplitude do balanço. Se, à imagem da roda de um carro, é relativamente fácil equilibrar um balanço, esta tarefa, torna-se impossível, no caso de um espiral.

Leia este artigo completo na edição impressa da Turbilhão.

O artigo Mecanismo Surpreendente aparece primeiro no Revista Turbilhão.

]]>