Apaixonado pelo design, que encara como forma de arte, Alexandre Peraldi enamorou-se da relojoaria quando descobriu o design sob restrições que este mundo lhe oferecia. Para o Director de Design da Baume & Mercier, o verdadeiro design acontece quando se desenha sob limites e somos obrigados a ser diferentes. O universo dos relógios é, por isso, o cenário perfeito para os designers do tempo… e não só.

Na sua opinião, qual é o papel de um designer na indústria relojoeira?

É construir a realidade do relógio: desenhar a caixa, a forma, tornar possível a mecânica… No fundo, somos aqueles que constroem a carroçaria à volta de um motor. Na Baume & Mercier todos os elementos são desenhados por alguém, desde o mostrador, aos números, à coroa… No passado era a equipa industrial que o fazia, mas não eram tão criativos e, agora, mais do que criatividade, todos os elementos são desenhados com a noção de estética.

Na sua opinião, o que define um bom design?

Para mim, o melhor design é o design intemporal e simples. E é o mais difícil.  Num relógio, o design clássico é o mais difícil de desenhar, porque se podem ver directamente os erros, é complicado ser-se diferente dos outros, mas para mim, apesar de ser o exercício mais difícil, é também o mais entusiasmante. Fico radiante quando me dizem que até se esquecem que estão a usar o relógio. Significa que este se tornou uma parte da pessoa. E isso é um bom design, não algo muito criativo, colorido ou louco. Tem de ser perfeito para o seu objectivo de conseguir ver as horas, usar com conforto… Para mim, o design é o equilíbrio certo entre estética e funcionalidade.

Diria que o que faz um relógio bonito é a simplicidade?

Para mim sim. É a coisa certa, no momento certo, por um bom motivo. Tenho maior preferência por algumas marcas dentro do grupo do que por outras, mas mesmo nas colecções mais extravagantes encontro coisas fantásticas, porque o objectivo, no fim, é alcançado e tem este equilíbrio.

Onde se inspira?

Em todo o lado. Para mim, um designer é um observador permanente. As ideias vêm de muitos campos diferentes. Consigo encontrar inspiração em tudo.  Adoro as novas tendências gastronómicas, porque há aqui algum design, tem cor, forma… às vezes encontro inspiração neste tipo de coisas. Mas pode ser em tudo, como numa conversa com um jornalista, porque certas perguntas obrigam-me a pensar de forma diferente ou a pensar no futuro. O designer tem de ser um observador nesse sentido. Deixar entrar tudo na mente e, inconscientemente, tudo isso vai voltar quando se começa um novo projecto. A criatividade não é algo que se possa gerir, é o mindset. Temos de ver, tocar, para despertar as sensações.

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Directora/Editor in Chief | Revista Turbilhão

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