O mercado de transferências está fechado, mas a Boutique dos Relógios Plus conseguiu assinar Adrien Silva como friend of the brand. E ao trocar os relvados por uma sessão fotográfica, o jogador da selecção revela-se tão à vontade como de bola nos pés. Ou quase…

Mais do que as suas qualidades técnico-táticas – como diria Gabriel Alves – interessa-nos aqui sobretudo medir o pulso ao campeão europeu, até porque a sua contratação como friend of the brand da Boutique dos Relógios Plus foi a transferência mais inesperada da época relojoeira.

O nome não engana. Adrien Sébastian Perruchet Silva nasceu mesmo em França, filho de pai português e mãe francesa. Começou a dar os primeiros toques nos iniciados do Bordéus, que abandonou em 2000 quando os pais se mudaram para Arcos de Valdevez. Curiosamente, nesse o mesmo ano chegava ao clube outro português que por lá faria história: Pedro Pauleta.

Mas a estadia em Arcos foi curta, porque o jovem Adrien entrou rapidamente no radar dos olheiros do Sporting e entre os 11 e os 12 anos de idade, trocou de país, primeiro e de cidade – Arcos de Valdevez por Alcochete – depois, sendo separado dos pais e do irmão. Nenhuma dessas mudanças foi fácil de aceitar ou de se adaptar. Mas levaram a uma maturidade pouco comum para a idade e, na Academia, Adrien revelava já as qualidades de um líder: foi capitão de várias equipas nos escalões de formação, como é hoje na equipa principal de Alvalade.

O momento mais alto da sua carreira – e de todos os que estavam consigo – aconteceu, claro, naquele glorioso domingo de Julho em que conquistaram o primeiro título de futebol sénior para Portugal. Adrien, o campeão europeu. Foi precisamente por aí que começou a nossa conversa:

O que sentiu quando se sagrou campeão europeu?

Foi uma sensação única. Pela conquista e pela alegria que pudemos proporcionar a milhares de pessoas. Ainda hoje revejo essa alegria nas pessoas e é fantástico.

A vossa recepção à chegada foi emocionante.

Claro. Desde os caças da Força Aérea a todos os trabalhadores do aeroporto, e pela cidade fora. Foi o melhor momento da minha carreira.

O início não foi muito positivo. Quando sentiu que podia ganhar?

Nunca sentimos um clique. Estávamos apenas focados em passar a fase de grupos, primeiro, depois em cada adversário, jogo a jogo, para finalmente chegar à final e poder ter essa hipótese de vencer o campeonato.

Como é que geriu a sua costela francesa, numa final em França, contra a França?

Não foi fácil, é verdade. Tive de controlar muitas emoções: estava no meu país natal, perante todos os meus amigos e família francesa. Os meus amigos franceses queriam que eu ganhasse e isso também me deu muita força.

Veio para Portugal aos 11 anos, e nem um ano depois já se estava a mudar para a Academia do Sporting. Foram muitas mudanças…

Difíceis de aceitar. Aos 11 anos não é fácil aceitarmos todas essas mudanças repentinas. Cheguei a ficar um pouco chateado com os meus pais, porque com essa idade não pensamos no futuro, queremos é estar com os amigos, brincar, e pouco mais. Começar uma nova vida com 12 anos não é fácil, mas foi, reconheço-o agora, importante para o meu futuro e para os valores que tenho hoje.

Como foi crescer na Academia?

O espírito de grupo que existe ali dentro é enorme e os nossos amigos tornam-se quase na nossa família. E isso torna-nos melhores e mais fortes. Aliás, só assim é que se consegue ultrapassar essa etapa. Sozinho seria praticamente impossível.

Que momentos recorda como melhores nesse tempo?

O companheirismo. Erámos cerca de 50 jovens, dos 12 aos 17, e a cada ano havia uns que saiam e outros que entravam, mas o companheirismo mantinha-se. Fazem-se grandes amizades, para sempre.

Como é que geriam as saídas? Alguns tinham sucesso, mas outros nem por isso…

É assim o futebol. Existem poucos que conseguem singrar e isso ensinava-nos em primeiro lugar que era possível. Em segundo que não era fácil. E que tínhamos de estar preparados para as duas hipóteses.

E o papel da sua família? Foi muito importante nessa altura?

Claro. Tive a sorte de ter uma família que fazia de tudo para me apoiar e estar presente. Na altura nem havia autoestrada até Arcos de Valdevez, e vir a Lisboa demorava umas cinco horas. Eles saiam às cinco da manhã, todos os fins-de-semana, para me verem jogar (nas camadas jovens os jogos são de manhã), almoçar comigo e depois regressavam. Era muito cansativo, mas nunca abdicavam de vir.

Aguardava esses momentos com grande expectativa imagino?

Sim, como é óbvio. E não só quando era jovem. Mesmo depois de crescermos continua a ser muito importante esse apoio familiar. E eu tive a sorte de ter uma família muito presente, ao contrário de alguns dos meus colegas que não tinham.

Agora é pai. O que mudou na sua vida?

Tudo. Foi uma mudança drástica no nosso dia a dia (risos). Mas alterou as minhas prioridades e tornou-me muito melhor enquanto homem.

Que tipo de pai é? Austero, brincalhão?

Tenho os meus momentos… Tento guiar-me pela educação que tive, porque acho que foi boa. Temos de saber quando devemos ser sérios e rigorosos e quando podemos ser brincalhões. No fundo é um pouco como ser capitão…

Que qualidades destaca para ser um bom capitão? Afinal é o actual capitão do Sporting como foi várias vezes nas camadas mais jovens.

Diz-se sempre que ‘o capitão tem de ser um líder e indicar o caminho’, mas tem que existir uma proximidade com todos os colegas e com o clube. Temos de saber o que é mais importante em cada momento para poder levar o grupo aos objetivos pretendidos. Para isso é preciso controlar as emoções e tomar as decisões certas em momentos chave. Ninguém nasce ensinado e isso aprende-se com o tempo. É claro que nem sempre acertei, mas espero estar a fazer um bom trabalho.

Todos os anos leva alunos de uma escola em Arcos de Valdevez para visitar uma cidade europeia. Como é que surgiu essa ideia?

Quando chegámos a Arcos nem eu nem o meu irmão falávamos uma palavra de português, mas houve uma professora na escola que nos ajudou muito nessa adaptação e quis retribuir essa ajuda. Para estes jovens é muito difícil conhecerem outros países e outras cidades, esta foi a maneira que encontrei.

Qual é a sua maior ambição?

Pessoalmente, é ser o melhor pai e o melhor marido possível. Ajudar a minha família a crescer e dar uma boa educação, como tive.

A carreira de um jogador de futebol não é assim tão longa. Onde é que se vê daqui por vinte anos, por exemplo?

Nesta fase ainda não penso nisso. Quero empenhar-me ao máximo como jogador para render o máximo.

Não é possível levar um relógio para dentro de campo mas, se fosse, que relógio gostaria de levar?

Não é permitido, não. Se pudesse escolhia o mais leve possível, para não pesar (risos).

Tem alguma marca predileta, ou tipo de relógio favorito?

Tive oportunidade de assistir ao lançamento do novo Omega (Planet Ocean Deep Black) e parece-me um relógio muito interessante, porque consegue ligar muito bem o lado desportivo com o mais clássico.

Tem muitos relógios?

Já tive mais. Um ‘pequeno assalto’ levou-me parte da coleção. É a vida…

Como é que recebeu este convite da BRP para ser friend of the brand?

Acima de tudo, com muito orgulho. Tenho amigos na marca e poder trabalhar com amigos é óptimo, porque já existe uma relação de confiança.

Já era cliente?

Sim, já era. Mas agora podemos levar essa relação um pouco mais longe.

Vai refazer a sua colecção de relógios?

Passo a passo. Estou a trabalhar nisso.


Fotografia de Carlos Ramos
Produção de Gabriela Pinheiro,
Cabelo e Maquilhagem Marta Pardal
Adrien vestido por Rosa & Teixeira

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A área do Lifestyle tem muito poucos segredos para Bruno Lobo, jornalista com mais de 15 anos de experiência. Da moda aos automóveis, da relojoaria à tecnologia, da gastronomia à beleza. Porque “a vida é bem mais agradável com estes pequenos grandes prazeres”. GQ e Fora de Série são duas revistas onde o seu cunho se sentiu mais forte, mas já colaborou com várias revistas nacionais e internacionais, incluindo a Turbilhão, “com enorme prazer por poder contribuir para este projecto editorial”.