Jean-Claude Monachon

Jean-Claude Monachon, vice-presidente de produto e serviço ao cliente Omega, esteve em Lisboa a propósito do lançamento da colecção Globemaster Master Chronometer. A ocasião revelou-se perfeita para uma conversa sobre a nova certificação e a história por detrás dos relógios antimagnéticos até 15.000 gauss.

Por que é que a Omega sentiu necessidade de um novo tipo de certificação?

Em 2013, lançamos um relógio antimagnético até 15.000 gauss e sabíamos que a precisão deste era muito boa; tínhamos uma boa reserva de marcha e mesmo quando esta estava no fim, o relógio continuava a funcionar como se a corda estivesse completamente carregada. Então pensámos que tínhamos que fazer alguma coisa para atestar esta qualidade. Perguntámos ao COSC se podiam fazer um Super COSC para a Omega. Mas o COSC tem muitos membros e quando se questionou as outras marcas sobre essa possibilidade, estas obviamente disseram que não. Tínhamos de encontrar outra solução e foi então que procurámos o Instituto Suíço de Meteorologia (METAS) e lhe perguntámos se podiam criar, processos e critérios que atestassem a qualidade dos nossos relógios, de modo a que pudéssemos mostrar ao consumidor final o resultado obtido. O METAS aceitou o desafio e criou 8 critérios gerais muito exigentes e difíceis de obter. Outro aspecto interessante é que, enquanto no COSC testamos o movimento, no METAS testamos o relógio completo. Afinal o consumidor final compra um relógio e não só o movimento. Por exemplo, no COSC não se testa o cronógrafo, já no METAS testamos esta função em funcionamento a 15.000 gauss.

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Mas a Omega mantém o COSC. Porquê manter as duas certificações?

Em primeiro lugar porque as pessoas sabem o que é o COSC. E o nome para a certificação COSC é Chronometer. Podíamos ter feito sem o COSC, mas o problema serias que não podíamos usar o nome Chronometer porque pertence ao COSC. O nome Master Chronometer pertence ao METAS. A Omega registou o nome e deu-o ao METAS. Por isso, se outra marca conseguir alcançar os critérios acordados com o METAS, poderá chamar ao seu relógio Master Chronometer. E isso é óptimo. Quanto mais marcas tiverem relógios Master Chronometer, mais as pessoas saberão do que se trata. Assim, mantivemos o COSC porque é reconhecido e detém o nome, mas criámos um Super COSC com o METAS.

Quanto tempo decorreu entre o desenvolvimento da tecnologia antimagnética e a produção do primeiro modelo com esta tecnologia?

A ideia surgiu em Basileia em 2011. Na época, o Sr. Hayek perguntou-me se eu tivesse que encontrar algo que fosse muito útil num movimento, o que faria? Respondi que faria um relógio antimagnético porque tínhamos muitos problemas no serviço ao cliente. As pessoas pensam que a Omega não funciona bem e não é a Omega é o magnetismo. Ele disse, ok, mas quero algo que nunca tenha sido feito antes. Eu tinha luz verde mas não sabia o que fazer, não tenho conhecimentos de magnetismo. Fiz uma pesquisa e reuni-me com engenheiros, técnicos e outras pessoas especializadas de empresas do grupo Swatch. Disse-lhes que queria um relógio resistente a 15.000 gauss. Pensaram que eu estava doido. Disseram-me que era impossível e eu aumentei a parada. Disse-lhes que queria duas coisas adicionais: uma data e ver a beleza do movimento no fundo da caixa. Ao adicionar estes dois critérios, a mente dos engenheiros abriu-se e, na mesma reunião, um dos presentes disse que tínhamos que trabalhar nos componentes do movimento. Começámos com isso e, em 2013, lançámos o Omega Aquaterra 15.000 Gauss. A moldura de tempo foi muito curta entre a ideia e a concretização desta. Na realidade, não construímos um novo movimento, mudámos alguns componentes. Já tínhamos a espiral em silício, sem isto não teríamos um relógio antimagnético. E depois mudámos 78 componentes. Claro que tivemos de encontrar soluções, fizemos cerca de 80 testes diferentes.

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Directora/Editor in Chief | Revista Turbilhão