“Queremos que os nossos produtivos tenham significado e que passem o teste do tempo, tanto em termos de design como de funcionalidade e fiabilidade, mas, acima de tudo, naquilo que significam para cada pessoa. “É desta forma que Jens Henning Koch, Vice-presidente de Marketing da Montblanc, resume a estratégia da marca, numa entrevista onde a identidade e ADN da manufactura foram os eixos centrais.

Nos últimos anos, a aposta da Montblanc eram os relógios clássicos. Este ano voltaram ao lado mais desportivo da marca. Porquê esta mudança? Qual é a estratégia?

Nos últimos anos queríamos enfatizar a nossa legitimidade no fabrico de relógios, queríamos destacar que a Montblanc é uma verdadeira produtora de relógios. A Montblanc é de modo tão forte a líder indisputável em instrumentos de escrita, que a vemos apenas como tal. Apesar de o sermos desde os anos 20 e, nos relógios, há mais de 160 que temos a manufactura. Quisemos aumentar essa percepção e fortalecê-la. Ao longo dos últimos três anos essa percepção aumentou. Estamos entre o Top 20 das marcas de relojoaria. E a nossa intenção quando fizemos essa mudança foi expressar os códigos da alta relojoaria. Temos a manufactura de Villeret, com o legado Minerva, e quisemos trazer esses códigos para um segmento onde ainda não tinham estado. Para fazê-lo, quisemos lançar primeiro linhas como o Chronométrie, o 4810… Depois, olhámos para a linha seguinte, o TimeWalker, uma linha desportiva, que tinha sido lançada há dez anos e é muito bem-sucedida. Quisemos trabalhá-la e torná-la numa colecção desportiva muito profissional. Evoluímos tanto nessa legitimidade do passado enquanto fabricantes de relógios que decidimos, nesta peça, passar à próxima fase e abordar o contexto e o espírito dessa colecção. Quando iniciámos esse processo, mantivemos em mente que não o podíamos fazer ao acaso, mas com uma inspiração, uma direcção e uma visão do que que queríamos. É por esta razão que a Montblanc não está apenas a fazer relógios desportivos, mas sim relógios desportivos profissionais. Para nós, este lançamento é, em certa medida, um renascimento dos relógios profissionais, porque já tinham existido na manufactura de Minerva, que tinha sido uma manufactura líder no início do século passado em cronómetros.

 

Como gerem os dois lados da vossa identidade: de um lado, a tradição, com mais de 150 anos de experiência, por outro lado, uma empresa avant-garde que trabalha com estrelas de Hollywood?

Estamos no segmento de superluxo em relojoaria, instrumentos de escrita, marroquinaria, joalharia… Por isso, a Montblanc é uma casa muito complexa. Temos diferentes elementos de design de assinatura nas diferentes linhas e o símbolo da Montblanc une tudo. Preferimos ver a Montblanc como uma maison com a maior qualidade, com a substância e a profundidade como elementos centrais, independentemente daquilo que fazemos serem relógios ou instrumentos de escrita. Queremos que os nossos produtivos tenham significado e que passem o teste do tempo, tanto em termos de design como de funcionalidade e fiabilidade, mas, acima de tudo, naquilo que significam para cada pessoa. Qualquer que seja a categoria de produto, queremos inspirar a ambição de progressão, de elevação, que as pessoas sigam os seus sonhos, concretizem os seus objectivos, alcancem as suas metas, com o equipamento certo.

É um desafio combinar o tradicional com o avant-garde? A estratégia é diferente para cada tipo de produto?

No geral, trata-se de inspiração, é isso que une tudo. O consumidor de hoje é diferente do de há 20 anos. Há um novo nível de agilidade, não só no viajar de um local para o outro, mas na viagem entre os diferentes aspectos da vida. As diferentes facetas da personalidade é algo que expressamos em diferentes campos, podemos ser muito sérios no trabalho, mas divertidos e irreverentes com os amigos…. É aqui que o luxo se está a exprimir, não sendo um escudo atrás do qual as pessoas se escondem. Hoje vemos um produto como uma extensão do que somos. Por isso, para nós é mais importante, não termos um produto que serve a todos, mas sim uma atitude. Ser inspirado e inspirar é o que denominamos de estilo de vida de luxo inspirador e é aqui que a Montblanc está.

Não é difícil manter o ADN da marca? Porque os instrumentos de escrita são feitos na Alemanha, os relógios na Suíça e as peles em Itália….

O ADN nem por isso, porque está fortemente enraizado na empresa, o que diz respeito à arte, inovação e sofisticação está assegurado. O desafio é sobre como devemos estar a comunicar nos diferentes lançamentos, qual a melhor plataforma para exprimirmos tudo isso…. Aí é uma interacção permanente entre o desenvolvimento de produto e o branding geral, com o tema geral do ano, como podemos ligar os diferentes lançamentos…. Exige andar para frente e para trás, mudar e adaptar. Este ano o tema é “Heritage Inspires”, por isso a inspiração está sempre com os lançamentos, bem como a herança e o legado… É algo que continuará com os instrumentos de escrita e as peças de pele.

Texto deMarina Oliveira, em Genebra, Suíça
PARTILHAR
Directora/Editor in Chief | Revista Turbilhão