Apaixonada pelas artes desde criança, Maísa Champalimaud pintou a primeira tela aos 16 anos e nunca mais parou. Hoje, a jovem artista concilia a pintura com o trabalho na empresa de família, mas confessa que o seu grande sonho é dedicar-se exclusivamente à arte e contribuir para a democratização da mesma.

Como surgiu a paixão pelas artes plásticas?

Desde criança. Sempre gostei de me exprimir de qualquer forma e sempre fui uma contadora de histórias nata. Lembro-me desde pequenina de pintar. A primeira vez que pintei uma tela tinha 16 anos e decidi que não queria fazer outra coisa na vida. Quando pinto não penso em mais nada e não me importo de ficar assim horas. Aos 18 fui pintar para o atelier do Luís Guimarães, um retratista. Mais tarde entrei na faculdade de Belas Artes e aí foi mais difícil. Começamos a perceber qual é a realidade de ser pintor e cheguei a pensar que talvez a pintura não fosse o meu caminho profissional. Mas há quatro anos decidi que se acreditasse naquilo que faço e mais gosto de fazer conseguiria chegar a algum lado. E decidi investir a sério na pintura. E tem-me trazido imensa felicidade. A única coisa que gosto de fazer e que me preenche é pintar.

Segue algum tipo de corrente ou ideologia no seu trabalho?

No início, como pintava com o Luís e ele é retratista, estava muito presa ao académico e ao retrato, embora tentasse que fosse um pouco mais contemporâneo. Quando sai da faculdade decidi que ia experimentar coisas diferentes. Depois dividia ateliers com amigos diferentes e eles influenciaram-me bastante. Além disso, também viajo muito, visito museus… e acho que isso me fez experimentar outras técnicas. Sou uma pessoa muito ansiosa e inquieta e acho que a minha pintura é um pouco isso. Estou sempre em busca de algo diferente, sempre insatisfeita.

2Como surge a inspiração?

Muitas vezes tem sido por convites de projectos. Agora estou numa residência artística e aí surgem imensas oportunidades de projectos diferentes. Gosto de pensar no espaço e cobri-lo com uma história minha. Muitas vezes perguntam-me se a exposição correu bem e se vendi, mas o que me faz fazer um balanço positivo não são tanto as vendas, é se o espaço, quando a minha intervenção nele acabou, ficou do meu agrado, se se nota a minha presença e que as pessoas que por lá passem notem que o espaço foi intervencionado. Por isso, gosto de colocar as minhas pinturas no chão ou em locais não convencionados para que haja este momento de pausa. O que também me inspira muito são as minhas viagens.

Há algum trabalho ou série que a tenha marcado mais?

Todas me marcam, até porque representam geralmente uma fase da minha vida. Por me empenhar tanto em cada uma, torna-se sempre o fim de um ciclo. Mas talvez a que mais me marcou foi “Love is the answer”. Sou muito impulsiva a fazer os quadros, pinto-os de uma assentada e depois não consigo mais tocar neles. Quando acabou, acabou. Mas esta série esteve guardada dois anos. Parecia-me sempre que não era a altura certa de a exibir. E quando finalmente o fiz, por acaso estava a apaixonar-me pelo meu noivo.

2 jpegA internacionalização é um sonho?

Claro que sim. Já tentei no Brasil, mas depois achei que era melhor recuar e crescer um pouco mais como artista. Se surgirem convites, obviamente que estarei disponível. Mas já tenho bastantes obras espalhadas pelo mundo, vendidas sobretudo através de galerias portuguesas, mas também da galeria online Saatchi.

Como é que concilia as duas actividades profissionais?

Tenho que ser muito organizada e metódica. Acordo muito cedo e às vezes o dia acaba muito tarde. Mas sou uma pessoa cheia de energia e vou conseguindo. No futuro, se tivesse possibilidade, gostaria de poder viver só da arte. E gostava de fazer algo em prol da arte, como uma escola, ou uma galeria com restaurante, acessível e simpática para todos os públicos. No fundo democratizar a arte. Esta não tem que ser para uma elite, deve chegar a todos.

IMG_7092 as Smart Object-1No futuro, tem algum projecto ou sonho que gostasse de ver realizado?

Agora tenho uns projectos novos, onde estou totalmente focada e que passam pela arte urbana. Quero levar as minhas pinturas para a rua e aqui o maior desafio é a escala. Afinal, somos mínimos em relação a tudo que está fora de nossa casa.

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Directora/Editor in Chief | Revista Turbilhão