Licenciada em Ciências Sociais e Políticas pela Universidade Técnica de Lisboa, em 1973, Maria João Bustorff vive dividida entre Portugal e o Brasil, onde ocupa a Presidência da Associação Espírito Santo Cultura. Para esta mulher com um percurso marcado pela versatilidade e dinamismo, funcionária pública durante 38 anos ao serviço de 5 Ministérios, incluindo o da Cultura, como Ministra no Governo de Santana Lopes, os ponteiros do relógio avançam depressa.

Qual é o papel da Associação Espírito Santo Cultura (ES Cultura)? Em que mercados actua?

Ocupamo-nos da concepção, desenvolvimento e execução de projectos no sector cultural, encarado nas suas múltiplas conexões. Para além de trabalhar na preservação do património histórico e artístico brasileiro, a ES Cultura, criada no Rio de Janeiro em Fevereiro de 1998, encarrega-se da produção e da divulgação das mais diversas manifestações culturais, como colóquios e seminários dedicados a temas contemporâneos, exposições temporárias, edição de livros e de peças multimedia, e acções de “educação para o património”. Damos especial relevo à formação profissional de técnicos e artífices, não apenas como um valor cultural e patrimonial em si mesma, mas também como um importante contributo social e económico para o desenvolvimento das regiões onde actuamos.

Temos vindo a desenvolver projectos nos Estados brasileiros do Pará, Pernambuco, Baía, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Pela orgânica e funcionamento do Ministério da Cultura do Brasil, e pelos apoios que a sua legislação consagra ao sector, muitos dos nossos trabalhos passam por Brasília. Temos trazido a Portugal parte desta realidade. Idealmente, o nosso mercado é o da lusofonia.

Qual foi o contributo da sua experiência em Portugal, enquanto Presidente do Conselho Directivo da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva e Ministra da Cultura, no exercício da sua nova função?

Na altura da criação da ES Cultura, eu era Presidente da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), para onde tinha sido destacada, em 1987, pelo Ministro da Educação. Iniciámos o trabalho da Fundação no Brasil com uma intervenção de grande fôlego, a da conservação/restauro dos bens culturais integrados da Igreja do Convento Franciscano de Santo António em Igarassu (Pernambuco), que candidatámos em 1996 ao apoio do Programa
Rafael.

Este viria a ser o único projecto de salvaguarda de património histórico e artístico barroco, na América Latina, com a chancela da União Europeia. Resultou de uma parceria entre a FRESS, a Fundação Xavier de Sallas de Trujillo (Espanha), a Fundação Joaquim Nabuco (Recife), a Fundação Brasil-Portugal (Rio de Janeiro) e o Ministério da Cultura do Brasil.

No decorrer deste projecto, entendemos que para podermos beneficiar dos apoios previstos na Lei de Incentivo à Cultura, seria fundamental criarmos uma entidade que, nos primeiros anos, funcionou como a contraparte brasileira da FRESS. Assim nasceu a ES Cultura, que inicialmente teve como promotores/instituidores a Fundação e o GESBrasil. Hoje, a Fundação é nosso associado honorário e o nosso objecto social ampliou-se e “descolou” da finalidade da FRESS, que foi instituída como Museu-Escola das Artes Decorativas Portuguesas e dos ofícios tradicionais com elas relacionados.

Actualmente, os nossos promotores são duas empresas do GES no Brasil. Considero que a ES Cultura beneficiou muito do profissionalismo, expertise e saber acumulado da FRESS, criada em 1953 para gerir património doado ao Estado Português. E posso dizer que, no pouco tempo que estive no Governo, insisti bastante, e com convicção, na importância da internacionalização da cultura portuguesa e nas virtualidades do nosso relacionamento com o Brasil.

Leia a entrevista na íntegra na versão impressa da Turbilhão

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A Turbilhão é uma revista semestral, especializada na área da Alta Relojoaria e do Luxo.