De Lisboa para o Mundo, o seu nome voa alto, transpondo as mais longínquas fronteiras. Com uma visão muito particular e uma dimensão artística arrojada que se eleva no mundo das artes plásticas, Joana Vasconcelos cruza o passado com o futuro numa obra apaixonadamente portuguesa.

Numa sala colorida, decorada com peças da sua autoria e de outros artistas, os quarenta e dois cadernos de esquissos de Joana Vasconcelos alinham-se cronologicamente numa colecção aparentemente interminável. Sentada à secretária e inspirada pelo mundo que a rodeia, os desenhos nascem a partir de uma caneta de ponta grossa e dão cor à brancura imaculada da folha A6. Por enquanto, são ainda esboços, mas hão-de ganhar rigor e escala no encontro com o Departamento de Arquitectura, explica-nos. Daí, o projecto tridimensional seguirá até às mãos ágeis das bordadeiras, que tecerão os primeiros metros de croché enquanto hábeis costureiras irão unir coloridos tecidos para dar vida à ideia.

Os adereços serão depois, cosidos, pacientemente, um a um. E assim nascerá uma grandiosa Valquíria, que em mais de trinta metros de comprimento reinterpreta uma das mais famosas divindades femininas da mitologia nórdica, que rumará do Atelier de Joana Vasconcelos para o outro lado do Mundo.

 

Entre o passado e o futuro

É de olhos postos no Tejo, num antigo armazém de grandes dimensões erguido na Doca do Bom Sucesso, que nasce e toma forma a obra de Joana Vasconcelos. A escala do atelier acompanha a monumentalidade das suas peças e a já incontável extensão de um currículo que leva Portugal ao mundo. Dividido em dois pisos, ligados por uma rampa espiralada desenhada pela sua equipa de arquitectura, a obra inconfundível de Joana Vasconcelos ganha dimensão e conquista, sem cerimónias, o espaço de esquadria labiríntica. Composto por diferentes departamentos que acompanham a peça desde que é pensada até ser exposta, o Atelier de Joana Vasconcelos é um espaço minimalista onde a arte é anfitriã e nos surpreende a cada divisão: na Galeria, na Oficina, no Gabinete de Arquitectura, no Departamento Administrativo, nas Salas de Reuniões e até suspensa a partir do tecto, num inigualável equilíbrio artístico que cruza tradição e modernidade, encontrando na História uma fonte inesgotável de inspiração.

Do passado, recupera objectos e tradições que desapareceram na voragem da vida moderna e revitaliza-os como obra de arte, emprestando-lhes actualidade e um novo significado. De uma escala micro a uma escala inesperadamente macro, a paixão de Joana Vasconcelos por tudo o que é doméstico ganha um arrojado sentido estético, surpreendendo com uma obra que nos desafia pela sua criatividade e arrebata com a sua monumentalidade.

Texto deCompanhia das Cores
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A Turbilhão é uma revista semestral, especializada na área da Alta Relojoaria e do Luxo.