Quando abordamos o mundo automóvel existem sempre automóveis e marcas que vivem no nosso imaginário e sobre as quais construímos uma história que, não raras vezes, condiz com os pergaminhos da marca.

O Bentley é um desses nomes do mundo automóvel. Associamos imediatamente exclusividade, rigor, elegância, atmosfera britânica. E são esses itens, mas também o modo racional e factual como cada ensaio deve ser realizado que nos propomos descobrir.

Por uma coincidência, o Bentley foi-me entregue à entrada da Faculdade pelo que tive de circular pelo amplo parque de estacionamento. E, a mística que o Bentley incorpora – a cor também ajudou – permitiu que fossem poucos os olhares que não o seguiram, o que demonstra a validade da identidade e do posicionamento que a marca transporta.

Torna-se compreensível compreender os motivos do crescimento da marca tanto no mercado interno, mas sobretudo externo, principalmente na China, com o lançamento de um SUV – o primeiro da marca – ou do Flying Spur, que não são uma simples extensão do modelo Continental. Com o Flying Spur V8 S a marca espera encontrar novos mercados para clientes que nunca tinham considerado como uma possibilidade esta marca mas sim a Mercedes, BMW e Audi.

Para tal, a marca responde com os mesmos atributos que coloca em toda a sua gama. O interior respira qualidade, uma atenção pormenorizada aos detalhes, a inclusão de pele em quase todos os materiais, onde até o pilar A não foi esquecido. Adicione-se o revestimento em madeira no tablier e nas laterais, num estilo sóbrio com um grande rigor de montagem e acabamento.

Muito embora não seja o local por eleição do proprietário Bentley, os bancos dianteiros acolhem-nos de modo amplo e confortável, com acesso aos tradicionais movimentos eléctricos dos bancos, da coluna de direcção e do sistema de massagem, aquecimento e arrefecimento dos bancos. A posição de condução é muito bem conseguida e facilmente nos acomodamos no banco e esquecemos o tamanho do Bentley – 5,3 metros – e o ruído do exterior, graças à qualidade da insonorização.  A usabilidade do modelo ou, dito de outro modo, a forma como ergonomicamente encontramos todos os botões do automóvel é de bom nível.

Mas é provavelmente no banco de trás que o cliente preferencial quer ver incluídas as maiores virtudes do Flying Spur. O espaço é abundante, tanto para as pernas como braços, os bancos possuem ecrãs embutidos de 10 polegadas nos encostos, o tradicional refrigerador com a garrafa de champanhe, os copos em cristal e as cortinas eléctricas. Tal como a concorrência, os bancos traseiros oferecem várias posições, podendo também reclinar em parte da sua extensão.

Um ponto que o leitor pode questionar é o quão diferente a marca faz relativamente à concorrência. A Bentley surge aqui com um motor de 4 litros, duplo turbo, mais de 500 CV e tracção integral permanente. Mas é ao nível da mestria artesanal que a marca se diferencia, onde cada automóvel é único.  Não é um acaso que a Bentley aposta em formação de jovens artesãos durante três anos para manter viva a exclusividade de cada peça, seja ao nível do trabalho em pele ou madeira, e tenha no passado recebido o galardão Princess Royal Training Award.

Texto deJorge Farromba
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A Turbilhão é uma revista semestral, especializada na área da Alta Relojoaria e do Luxo.