Esqueça Punta Cana e os resorts tudo incluído. A abertura de um Aman resort na selvagem costa norte da ilha trouxe à República Dominicana um novo tipo de turismo, relembrando o motivo pelo qual Cristóvão Colombo terá dito que este era o mais belo local do mundo…

A República Dominicana não é um destino desconhecido dos portugueses. Da mesma forma, Punta Cana, La Romana e Samaná são nomes conhecidos de todos nós, quase sempre no top dos destinos mais vendidos em qualquer agência de viagens que se preze. Apesar das dezenas de parque naturais, praias de areia branca, palmeiras e mar azul-turquesa, esta ilha caribenha, sinónimo de hotéis tudo incluído, piscinas de escorregas e aulas de ginástica, não combina à primeira vista com a marca Amanresort.

Esta exclusiva cadeia de origem asiática é conhecida pelos seus pequenos hotéis-resort de design minimalista em locais paradisíacos (começou recentemente a apostar em cidades como Tóquio e Pequim), just for a happy few. E por oferecer um serviço discreto e impecável, realizando – ou até antecipando – todos os desejos dos seus hóspedes, que os funcionários conhecem pelo nome. Os amanjunkies – como são chamados os clientes mais fiéis – não hesitam em atravessar o mundo para experimentar a mais recente novidade da sua marca de eleição. Na verdade, se fizer parte desta lista – onde constam nomes como Bill e Melinda Gates, Mark Zuckerberg, Tom Hanks ou Novak Djokovic –, é muito provável que exista uma ficha sobre si, partilhada entre todas as propriedades, incluindo informações sobre as suas preferências, horas de acordar, gostos gastronómicos, estilo de almofada, hábitos desportivos…

Mas regressemos à República Dominicana e à localização muito especial do segundo Aman no Caribe (o primeiro ficava nas Turks and Caicos). Depois de atingir números que rondam os seis milhões de turistas por ano, o governo local decidiu apostar no lado norte da ilha Hispaniola (que a República Dominicana divide com o Haiti), mais selvagem e pouco explorado, iniciando a construção de um campo de golfe, o último a ser desenhado pelo famoso Robert Trent Jones Sr. Em menos de 15 anos, a Playa Grande tornou-se a jóia da coroa da costa norte, a alternativa exclusiva e tranquila ao sudeste da ilha e ao turismo de massas de Punta Cana e La Romana, seduzindo ricos, famosos e aventureiros, em busca de locais mais isolados e longe das multidões.

É precisamente aqui, na Playa Grande, que se situa o Amanera – cujo nome deriva da união da palavra “Aman”, que em sânscrito significa paz, com “era”, que significa água em Taíno, uma língua caribenha ancestral. Empoleirado no topo de uma falésia com vista para o Atlântico, este é o primeiro Aman com um campo de golfe, que, serpenteando ao longo da costa, até já tem a alcunha de “Pebble Beach of the Caribbean.” Está integrado num grande complexo de mais de 800 hectares, que inclui moradias privadas, praias isoladas e vistas panorâmicas de todos os ângulos.

Playa Grande Golf Course

O silêncio é a primeira coisa que chama a atenção quando aqui se chega. A segunda é a impressionante estrutura de inspiração balinesa que serve de recepção. A “Casa Grande”, como foi baptizada, está incorporada de forma magistral entre a selva luxuriante e o mar, acolhendo em simultâneo o lobby, os restaurantes, bares e vários lounges do hotel. O arquitecto John Heah, responsável por diversos Aman e hotéis Four Seasons, recorreu a um design orgânico que se mistura na paisagem exuberante. As escadarias flutuantes, os grandes terraços e janelas sem vidros, os espelhos de água que prolongam a linha do horizonte, e os telhados planos que cultivam jardins verdes são, todos eles, elementos que esbatem a linha entre a selva e o design contemporâneo.

Vinte e quatro “casitas” de um quarto (e uma casa de dois quartos) foram construídas em forma de anfiteatro, mesmo de frente para o oceano, numa extremidade da Playa Grande, uma praia selvagem de dois quilómetros em forma de meia lua, que tem do outro lado o Playa Grande Beach Club, um hotel boutique de design colonial, com interiores coloridos assinados pela designer nova-iorquina Celerie Kemble.

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Jornalista Viciada em hotéis, Catarina Palma está sempre a par das últimas novidades da hotelaria mundial. Começou a trabalhar no jornal PÚBLICO, mas foi a escrever sobre viagens que descobriu a sua verdadeira paixão. “Quem quer escrever sobre políticos, quando pode escrever sobre o melhor do mundo?” Directora da Rotas & Destinos durante mais de 10 anos, revista de viagens que deixou saudades, coordena actualmente o projecto Lisbon Shopping Destination e escreve sobre temas de luxo e lifestyle para diversas publicações, como a TURBILHÃO.