O Oriente sempre me fascinou. Pela história, pelos povos, pela cultura, pelas paisagens. Aqui sempre me senti um descobridor de novos Mundos. Tenho vindo a descobrir o arquipélago tão vasto que é o da Indonésia: onze mil ilhas compõem esta terra de fascínios.

Desde que conheço Bali, não perco oportunidade de cá voltar. De Zurique, as doze horas que distam esta cidade de Singapura parecem metade nas novas suites do A380 da Singapore Airlines. As suas cabines individuais dão-me total privacidade, quer para descanso nas fantásticas poltronas da casa italiana Poltrona Frau, quer pelo turndown service que completa um leque de serviços já por si de grande excelência e tradição e que me permitem, após vestir um pijama de seda, deitar-me nuns imaculados lençóis de linho e dormir como se estivesse em casa.

NEW-EXTERNAL_VIEW_OF_THE_BULGARI_VILLA_732x458Chegado a Singapura, a reserva de que dispunha permitiu-me, sem mais demoras, prosseguir para Bali. Os trâmites de alfândega foram rápidos, graças ao serviço VIP garantido pela minha agência de viagens. Saí do aeroporto de Denpasar e tive aquela sensação que aprecio: o calor húmido desta região. E o calor tem que estar sempre associado a um determinado número de outros ingredientes. Desde pequeno que me recordo que calor tem palmeiras. Calor tem línguas diferentes. Tem cheiros diferentes. Mas eu sinto-me em casa.

Esperava-me um Land Rover já familiar para me fazer chegar a um dos meus refúgios preferidos. Costumo vir para esta região sozinho, muito embora toda a gente a relacione, e bem, com amor, diversão, grupos de amigos e surf. Eu escolho-a para me encontrar e depois completar. O hinduísmo da ilha ajuda-me a deixar ir, descontraidamente. Agrada-me esta crença em algo que nós, ocidentais, já nos esquecemos. Adoro os templos de água. O lavar para limpar a alma. Algo de tão singelo associado ao melhor dos quatro elementos.

O percurso até ao Hotel Bulgari serviu para me recordar perfeitamente das oferendas largadas nas ruas e à porta das casas… A personificação dos deuses nas árvores singulariza-se pelo sarongue axadrezado enrolado à sua suposta cintura… Os sorrisos na rua… Uma língua que creio não a querer entender, após tantos anos de sucessivas visitas, para que não tenha a revelação de todos os seus segredos…

quarto-bulgari-bali_732x458Cheguei à entrada da minha fortaleza. À porta espera-me ainda a mesma cadela Labrador creme que passa a “faro fino” o veículo. Este hotel tem a aparência de uma fortaleza japonesa. Os seus muros altos, as suas villas que na noite passam despercebidas. Aqui tudo é tranquilo. Muito tranquilo. O check-in processa-se com tranquila rapidez e sou levado à minha villa num dos buggies do hotel.

Confesso que, apesar das vezes que já aqui estive, ainda me perco à noite nas suas “ruelas”. No ar, o cheiro doce das flores inebria-me, leva-me a outros mundos. Todo o percurso é ladeado por pequenas lanternas que nos dirigem às áreas sociais. Apesar do número de villas, sempre tive a sensação que só aqui estava eu e algumas (poucas) pessoas.

vilas-bulgari-bali_732x458O bar é o local ideal para, do cimo deste penhasco de cento e cinquenta metros, nos repararmos com um Herbojito (famoso cocktail do hotel) para um manjar italiano no Il  Ristorante – já galardoado como o melhor restaurante de hotel do Mundo.
Voltei à minha villa. Quero aproveitar todo o seu conforto. A entrada é tipicamente nipónica. Largas portas de madeira com ferrolhos dão acesso a um pátio com chão de seixos.

À distância, não sei se curta, mas seguramente rápida, está o invisível mordomo a aguardar os nossos pedidos. O deck coberto com um telheiro que encerra um confortável sofá contíguo à piscina em espelho de água. Só temos que ter atenção aos pertences, pois os macacos da floresta abundam. Inofensivos, mas muito curiosos.

O quarto amplo dispõe de uma confortável cama king size com lençóis de algodão egípcio. Ajudou-me a passar esta noite, porque, tal qual um miúdo pequeno, estava em ânsia com o novo Mundo que amanhã se me abrirá.


new-amanwana_732x458llha de Moyo

Tomei o pequeno-almoço cedo, caminhei um pouco na praia deserta e, após um pequeno brunch, fui para o aeroporto. Apesar de ter disponível a possibilidade de transfer em helicóptero, optei pela sempre romântica opção de um hidroavião. A Ilha de Moyo está localizada no arquipélago das Flores, e é o santuário do pequeno veado Rusa.

amanwana-jungle-cove-spa_732x458A aproximação à ilha é fantástica. O verde da vegetação quase se confunde com a cor das águas mais baixas. Defronte encontra-se o Amanwana, cujo nome se traduz em Floresta Pacífica, da cadeia Aman. Este pequeno complexo de vinte tendas de luxo em pleno parque natural florestal e oceânico é um local idílico.

AMiK-Exterior-5_732x458Aproveitei o meu primeiro dia no paraíso, passando-o em banhos nas águas cristalinas da baía.

O Mar de Flores está entre os melhores locais de mergulho do planeta. Hoje dedico-me ao mais simples. Equipado com óculos e barbatanas, vou até à Turtle Street. Neste local bem perto do campo, deleito-me a observar alguns exemplos do que vou ver nos próximos dias. Amanheço cedo, como me acontece sempre por estas paragens. Após o pequeno-almoço, dirijo-me ao cais e vejo a minha casa nos próximos dias – o fabuloso veleiro Amanikan.

AMiK-Exterior_Sun-Deck-2_732x458Construído por encomenda, é inspirado nos antigos cargueiros de especiarias. Toda a sua mobília, de inspiração nos costumes locais, é feita em teca, rattan e outros materiais. Os tons brancos, bege e mel induzem-nos uma sensação de pleno bem-estar.

AMiK-Exterior_Sun-Deck-4_732x458As áreas sociais limitam-se aoloungepara banhos de Sol, umcocktailao anoitecer ou mesmo uma noite passada tendo o céu estrelado como tecto. O meu itinerário vai levar-me pelo arquipélago das Flores, até à Ilha de Komodo e Rinca.


shutterstock_64713061_732x458Doce Mergulho

É chegado o dia do meu mergulho. Com equipamento disponível para seis pessoas, mergulhamos neste que está entre os locais de topo de mergulho na Ásia, devido à biodiversidade e às rotas migratórias de certas espécies. Hoje, a tentativa é vermos tubarões-baleia e os peixes-lua. Muros de corais descem até profundidades que não alcanço.

Mar_732x458Ao meu redor, tudo é de um azul transparente e cristalino. Chama-me a atenção um pequeno cavalo-marinho, com a sua cauda enrolada num braço de coral vermelho. Um pequeno polvo laranja quase do tamanho de uma mão entra numa cova. Uma coisa aprendi no mar: nunca tocar em nada, principalmente no que mais nos atrai.

O cruzeiro está perto do nosso destino final. Estamos agora ao largo da Ilha de Komodo. As paredes vulcânicas da ilha emanam um calor reconfortante. Sei que aqui a vida é menos diversificada e exuberante devido à temperatura da água, mas há a possibilidade de ver o peixe-lua.


New-raffles1_732x458Dragão de Komodo

Amanhecemos e cedo vamos para a ilha de Komodo. Armado de coragem e máquina fotográfica, vou enfrentar o Dragão. O bicho é enorme! Avistamo-lo na praia. O seu tom de castanho e a sua pele aparentemente áspera conferem-lhe um ar que não deixo de imaginar viscoso. A sua língua serpenteia para fora da boca a analisar o ar em redor, na tentativa de encontrar uma possível presa. Regressamos ao nosso navio após um dia bem passado nesta ilha pré-histórica.

NEW-Hotel_Raffles_732x458Passada mais uma noite em Moyo, regresso via Bali para Singapura. O Jaguar branco na saída do aeroporto, com o símbolo do hotel, não me deixa equivocado. É o meu transfer. Adoro a vida selvagem e a aventura, em igual proporção às massagens, à boa comida e à civilização.
É disso que hoje estou a precisar. Dirijo-me ao Raffles de Singapura. Quem nunca ouviu o seu nome? Neste local é impossível não recuarmos na história, com a sua elegância colonial, a inconfundível arquitectura europeia e um staff sempre atento, a par de uma cozinha fantástica.

Hi_RHS_26112291_H0FL3L3Z_732x458Sinto-me um oficial inglês no Oriente, não destacado mas esquecido, olhando com saudade as paredes que lhe lembram a terra natal. Eu, bem menos saudoso e muito mais bem-disposto, delicio-me com um prato de ostras. De seguida, retiro-me para a varanda da sala de bilhar, onde, no quente da noite, um Camus e um AB Prensado Churchill me acompanham. Acho que fico mais uma noite…

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Texto deJoão Silva
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