Uma crosta fina e leve que, brevemente, dá lugar a uma camada de merengue de amêndoa moída, seguida por um centro de recheio suave… et voilá! Eis o macaron, um petit-four parisiense, cujo sabor atravessa fronteiras para despertar as papilas gustativas mais exigentes.
A aparente simplicidade do macaron contrasta com o sucesso que granjeia um pouco por todo o mundo. Estes pequenos bolos coloridos – uma espécie de massa de suspiro dividida em duas partes com recheio por dentro – são uma confecção predominantemente francesa que tem vindo a conquistar o mundo. E Portugal não é, naturalmente, excepção. Mas qual é, afinal, a origem destes bolinhos redondos, estaladiços no exterior, macios e flexíveis no interior? A questão não é consensual. Se, por um lado, a enciclopédia Larousse Gastronómica coloca a data da criação desta bolachinha em 1791, num convento francês, por outro, alguns historiadores culinários asseguram que a origem dos macarons está num mosteiro italiano. De acordo com esta última versão, a entrada em terras gaulesas dos maccherone ter-se-á dado em 1533 pela mão dos chefes de pastelaria de Catarina de Médici, mulher do rei Henrique II. Os macarons ganharam fama em 1792 quando duas freiras, buscando asilo na cidade de Nancy durante a revolução francesa (1789-1799), produziam e vendiam macarons para subsistir, tendo-se por isso tornado conhecidas como “as irmãs macaron”. Os macarons que faziam eram uma simples combinação de amêndoas moídas, claras de ovos e açúcar. Sem sabores especiais. Sem recheio. A receita rapidamente se expandiu por diversas regiões de França, adoptando cada uma a sua particularidade e segredo.
Foi apenas no início do século 20 que o macaron se transformou numa espécie de sanduíche. O conceito foi inventado por Pierre Desfontaines, da pastelaria parisiense Ladurée, que teve a ideia de unir com creme dois discos da bolacha. Os “originais” combinavam duas “conchas” coloridas ligadas por um recheio cremoso de ganache de chocolate. Actualmente a Ladurée continua a ser uma das primeiras paragens para os fãs dos macarons em Paris, sendo conhecida pelas dezenas de sabores que oferece. Alguns incluem groselha e caramelo e, claro, os básicos – chocolate, baunilha, framboesa e pistáchio -, além de sabores sazonais como anis, castanha, lima, flor de laranjeira, rosa e chocolate branco. Os recheios podem ir das geleias ao ganache, passando pelo creme de manteiga. Longe do original e humilde bolinho de amêndoa, o macaron, com o seu topo abobadado e em forma de círculo, a base plana, a sua humidade moderada e a facilidade com que se derrete na boca, transformou-se num doce versátil e com uma imensa panóplia de sabores.

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A Turbilhão é uma revista semestral, especializada na área da Alta Relojoaria e do Luxo.