Mashpi Lodge, o beija-flor

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Mais do que um hotel, o Mashpi Lodge é um refúgio na floresta, onde é possível avistar espécies que não existem em nenhum outro local do planeta. Um lugar mágico e especial, que temos a obrigação de preservar.

A viagem até ao Mashpi Lodge começa em Quito, capital do Equador, e a mais bela cidade colonial da América do Sul. Encravada entre as montanhas dos Andes e cercada por vulcões (quase uma centena, estando mais de 20 activos), é o melhor ponto de partida para descobrir a paisagem natural deste pequeno país, inesperadamente bela e selvagem.

Bastam alguns minutos de viagem para perceber como o cenário que nos envolve pode mudar abruptamente, como que por magia. A estrada passa ao lado do “Mitad del Mundo”, que marca a linha equatorial, seguindo o curso do Rio Blanco. Depois de passar a cidade de Nanegalito, para noroeste, a estrada torna-se sinuosa, passando pelo sítio arqueológico de Tulipe e várias comunidades agrícolas. Embrenhamo-nos então num verde que se adensa ao ponto de não vislumbrarmos mais do que uma inesgotável palete de verde.

Quatro horas de viagem separam-nos do Masphi Lodge, um refúgio na floresta com capacidade para apenas 47 pessoas. Situado no coração da Reserva da Biosfera Choco Andina – que se estende por 286 mil hectares, cerca de 2% do que terá sido a mata original –, este hotel ecológico é um lugar inesperado. Faz parte da colecção de Unique Lodges of the World da National Geographic, uma espécie de “selo de qualidade” atribuído a alojamentos que se dedicam à protecção do ambiente.

Mesmo tratando-se de um monólito moderno de aço reciclado, madeira tropical e vidro, é quase impossível encontrá-lo entre as copas das árvores e neblina da floresta. Utilizando as mais recentes técnicas de construção sustentável, o Masphi Lodge é o projecto de vida de Roque Sevilla, um ambientalista apaixonado, empresário de sucesso, ex-prefeito da cidade de Quito e presidente da Metropolitan Touring (um dos principais operadores de turismo do Equador), que decidiu comprar vários hectares de floresta com o objectivo único de contribuir para a sua preservação. Para tal associou-se a vários biólogos e cientistas que aqui trabalham e estudam várias centenas de espécies de plantas, borboletas, mamíferos, repteis e peixes, e ainda 400 espécies de pássaros – 36 delas endémicas. São eles, a par de membros da comunidade, os guias das várias expedições diárias organizadas para os hóspedes do Masphi.

Surpreendentemente contemporâneo e com design e decoração minimais, é um verdadeiro casulo no meio da natureza em estado puro, oferecendo quartos com janelas panorâmicas em vidro do chão ao tecto, para que possa estar em contacto permanente com o que se passa no exterior, e nunca pretendendo competir com a sua beleza luxuriante. A ideia é quase simular uma cápsula de cristal, a partir da qual poderá observar a vida na floresta mesmo no conforto da sua cama.

Com um telhado estilo pérgula e mesas ao ar livre, o terraço é o local certo para começar o dia, e relaxar ao som da floresta. Aqui ou na sala de pé direito altíssimo, as refeições são uma descoberta da gastronomia das diversas regiões do Equador, onde nunca faltam deliciosos ceviches, e ingredientes locais muito frescos acompanhados por sumos naturais, vinhos ou cocktails exóticos.

De resto, os dias começam sempre muito cedo, e incluem caminhadas (diurnas e nocturnas, com direito a observação de todo o género de bichos, e até cobras e tarântulas!), mergulhos em cachoeiras e aventuras passadas no teleférico Dragonfly, a céu aberto, terminando o dia a subir à Torre de Observação para contemplar a reserva e o por do sol. Em alternativa, poderá partir à descoberta das mais belas e raras orquídeas do mundo, procurar os refúgios secretos dos beija-flores, esses seres minúsculos e incrivelmente ágeis, muito difíceis de ver, mas que por aqui parecem estar em toda a parte, assistir a palestras no Life Center e ainda arriscar uma divertida travessia – a 200 metros de altura! – numa original Sky Bike….

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Jornalista Viciada em hotéis, Catarina Palma está sempre a par das últimas novidades da hotelaria mundial. Começou a trabalhar no jornal PÚBLICO, mas foi a escrever sobre viagens que descobriu a sua verdadeira paixão. “Quem quer escrever sobre políticos, quando pode escrever sobre o melhor do mundo?” Directora da Rotas & Destinos durante mais de 10 anos, revista de viagens que deixou saudades, coordena actualmente o projecto Lisbon Shopping Destination e escreve sobre temas de luxo e lifestyle para diversas publicações, como a TURBILHÃO.

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