Graças a um invejável clima com muitos dias soalheiros, Portugal foi desde sempre um dos destinos de golfe mais populares da Europa e, embora o Algarve detenha a maior fatia de campos, para o golfista que viaja em busca de algo mais calmo e fora do circuito, a região Oeste, a Norte de Lisboa, é uma opção interessante.

Numa colina isolada varrida por brisas frescas, a cidade medieval de Óbidos revela-se uma base excelente para experimentar um quarteto de campos de golfe variados e desafiantes, todos a 30 minutos de carro. A nossa casa durante quatro noites foi o agradável Hotel Real D’Óbidos, e ficámos encantados por descobrir que estava situado num aglomerado de becos de pedra a um pulo de distância das muralhas do castelo.

Cidade Medieval de Óbidos

O hotel encontra-se requintadamente decorado num estilo medieval, com armaduras, tapeçarias, móveis de ferro, madeira escura e enormes cortinas pesadas. Mesmo os quartos mantêm o tema, com antigas trancas de ferro nas portas e uma original chave de ferro medieval, tão grande que só o acto de a carregar todas as manhãs até à recepção e entregá-la ao amistoso staff vestido com roupas medievais se torna um verdadeiro exercício. Com a chave entregue em segurança e os tacos de golfe arrumados no carro alugado, é tempo de partir e experimentar os campos…

 

Golden Eagle

Os nossos primeiros 18 buracos são no Golden Eagle, originalmente conhecido como Quinta do Brincal Golf and Country Club. Desenhado pelo americano Rocky Roquermore (responsável pelo desenho de vários outros campos de renome no Sul da Europa), é um campo grande (6623 metros) que serpenteia através de uma deslumbrante paisagem natural de suaves colinas e luxuriante flora portuguesa: pinheiros, sobreiros, eucaliptos, mimosas, hortênsias e acácias, que fornecem molduras coloridas a cada buraco.

O campo utiliza bem as suas influências americanas com forte ênfase no target golf, apresentando nove lagos decorados com repuxos e fontes e mais de 90 bancos de areia. Alguns são tão grandes que fazem os da maioria de outros campos parecerem espaços de recreio para crianças. O Golden Eagle irá testar as suas capacidades na areia ao máximo. Durante a nossa partida, demos por nós em mais areia do que um par de figurantes nas filmagens de Lawrence da Arábia.

 

Campo Real

O Dolce Campo Real transformou-se rapidamente num dos empreendimentos de golfe e lazer mais excitantes de Portugal, apresentando um layout de 18 buracos concebido por Donald Steel. Entalhado nas dramáticas colinas, vinhas e íngremes vales arborizados da paisagem campestre envolvente, o campo irá desafiar e deliciar mesmo os jogadores mais experientes, com inúmeros drives acima e abaixo das colinas.

“Aqui, os fairways possuem cerca de 20 centímetros de largura – mais ou menos a distância entre as suas orelhas, daí que tenha mesmo de usar a cabeça. Já joguei neste campo muitas vezes e nunca me canso dele”, diz o Director de Golfe, Manuel Gomes, antes da primeira tacada. “A ‘pedra no meu sapato’ é o buraco 2, um par 4 de 366 metros, que parece causar-me sempre problemas. Podem ficar aqui e jogar neste campo durante uma semana e mesmo assim não conseguir tornar-se um perito neste circuito. Não é um campo longo, mas é técnico e possui um conjunto de par 4 longos à mistura.”

 

O nosso buraco favorito é o 17 com 478 metros – um par 5 terrível, jogado a partir de um tee que oferece uma paisagem soberba e uma hipótese muito real de fazer um birdie ou possivelmente um eagle. Se bater uma tacada fraca aqui, será melhor evitar a tentação de bater uma segunda bola. Agradável, belo e sereno, a qualidade do Campo Real é apenas igualada pelas óptimas acomodações, instalações de Spa, clube de golfe e instalações para os membros.

 

Praia D’El Rey

A estrela do quarteto de golfe do Oeste deve indubitavelmente ir para o selvagem Praia D’El Rey de Cabell B.Robinson – uma maravilhosa combinação de uma zona arborizada para os primeiros nove buracos, que corta através de uma densa floresta de pinheiros, e de uma zona “aberta” para os últimos nove, que segue a linha costeira com paisagens espectaculares sobre o Atlântico e as Berlengas. Quando viu o local pela primeira vez, Robinson disse: “Este é o tipo de paisagem que nós arquitectos tentamos criar, mas na Praia D’El Rey está tudo aqui, naturalmente. Agora é minha responsabilidade protegê-lo.”

Depois dos fairways apertados, delimitados pelos pinheiros, dos primeiros nove buracos, o campo abre-se e dirige-se para o imenso Atlântico, oferecendo todos os elementos de um link Escocês ou Irlandês, mas com tempo mais ameno. Bunkers grandes e profundos, greens ondulantes e áreas naturalmente emolduradas por areia contrastam vivamente com os fairways luxuriantes. Os buracos mais agradáveis estendem-se do 12 ao 15, situados ao longo da costa, sem esquecer de mencionar o 17, uma subida gigante par cinco com 570 metros. Todo o campo oferece variedade, desafios e vistas magnificas. E surge bem posicionado na Lista dos Melhores 100 Campos de Golfe da Europa.

 

Bom Sucesso

Este campo é mais um da autoria de Donald Steel, em Portugal, e uma excelente adição à cena golfista em ascensão no Oeste. Aberto desde 2008, o campo é a peça central de um resort de cinco estrelas que apresenta apartamentos, vilas e instalações de lazer desenhadas por grandes arquitectos.

O layout está dividido em dois noves, com os primeiros nove buracos nivelados a conduzirem aos últimos nove, mais espectaculares e em terreno inclinado. “No Bom Sucesso criámos 18 buracos muito fortes – todos bons mesmo quando analisados a nível individual, não acho que nenhum seja fraco. Todos contribuem para o encanto geral do campo de golfe. O jogador individual é que deve ser o juiz final”, diz Steel.

Tal como todos os bons campos, o final no Bom Sucesso é particularmente memorável; o buraco 16 de par quatro é jogado numa inclinação, com o green colocado numa encosta, depois é um drive espectacular para o buraco 17 dog leg par cinco, com vista fantástica sobre o Lago de Óbidos e as montanhas distantes, e o buraco final é um par quatro a descer, com um riacho que rasga o fairway e água a guardar o green.

 

Fora dos Campos

Entre partidas de golfe explorámos a charmosa cidade fortificada de Óbidos, com as suas pitorescas ruas de pedra alinhadas com casas coloridas repletas de gerânios e buganvílias, entradas e janelas góticas, igrejas caiadas, vasos e azulejos deslumbrantes – tudo circundado pelas muralhas do castelo do século XII. Óbidos foi meticulosamente preservado e os seus habitantes esforçam-se com orgulho por manter a imagem arquitectónica de outros tempos.

Texto deAndy Marshall, fotografias de Paul Marshall
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A Turbilhão é uma revista semestral, especializada na área da Alta Relojoaria e do Luxo.