Portugal está hoje a vencer a batalha dos vinhos brancos de grande qualidade e o Verão é um dos maiores exames práticos desta nova realidade. Todos os vinhos podem estar mais ou menos adaptados a certas épocas do ano e a determinadas comidas, mas os exemplos que aqui deixamos levam-nos ao cenário de grandes vinhos para o Verão.

A marca indefectível do Verão é o calor, e a forma como escolhemos caminhos para combater os seus excessos não varia muito. Procuramos as sombras, os locais mais frescos, optamos por comidas ligeiras e muitos líquidos. Aqui, o fundamental é não cair em tentações de refrigerantes ou sangrias, qualquer um deles pouco amigo da saúde. Estaremos então ‘obrigados’ a só beber água? Claro que não. Os vinhos, em moderação, são excelentes ‘amigos’ para nos acompanhar nesta altura do ano, e os mais aconselhados serão os brancos e, para quem goste, os rosés.

Nos brancos há toda uma infinidade de marcas, umas mais adaptadas a serem consumidas como aperitivo e outras mais aptas a acompanhar as nossas refeições, sendo que aqui a distinção vai para os vinhos com maior aptidão gastronómica, a maior parte das vezes por causa da sua passagem por barricas de madeira, o que os torna com mais estrutura e potência.

Entre a enorme escolha que temos à nossa disposição, deixamos apenas alguns exemplos de grandes vinhos brancos para o nosso Verão. Com estes vinhos, escassa montra do que de bom temos para beber, deixamos uma pequena amostra do compromisso entre a excelência dos produtos e as nossas necessidades de amenizar o calor.

1. Azevedo e Quinta de Azevedo

Azevedo Loureiro/Alvarinho 2017 e Quinta de Azevedo Reserva são os dois primeiros vinhos desta marca da Sogrape, feitos com uvas da sua Quinta de Azevedo, uma propriedade do século XI para os lados de Barcelos. Com 70% de Loureiro e 30% de Arinto, o Azevedo 2017 é um vinho de frescura intensa, ideal para aperitivo ou para acompanhar saladas, mariscos e comida asiática, como sushi. Já o Quinta de Azevedo Reserva 2017, feito com as mesmas castas, afirma-se muito gastronómico e pode acompanhar sabores mais intensos quer nos peixes, quer nos mariscos.

2. Covela

Desta quinta da sub-região de Baião, junto ao Douro, e que pertenceu ao cineasta Manoel de Oliveira, chegam-nos dois espectaculares vinhos para nos acompanhar com êxito nos tempos quentes. O Covela Avesso 2017 tem elegância, acidez e frescura. Quanto ao Covela Arinto 2017 exibe potência, mineralidade e acidez. Ambos podem ser protagonistas quer como aperitivo, quer com carnes brancas, peixes e mariscos.

3. Guru

Directamente do Douro vem o Guru Branco 2016, feito com uvas de vinhas velhas e ainda com Viosinho, Rabigato, Códega de Larinho e Gouveio. Este vinho já teve fermentação em madeira, o que aumenta as suas aptidões gastronómicas.

4. Manoella

Ainda das terras quentes do Douro chega-nos este Manoella Branco 2016, um vinho muito alegre, muito fresco, mineral e floral, feito com Rabigato, Gouveio, Códega de Larinho e Viosinho. É igualmente muito gastronómico e a sua frescura grande amiga das tardes quentes.

5. Mirabilis

O Mirabilis Grande Reserva Branco 2016, feito com Viosinho, Gouveio e vinhas velhas com 80 anos, é um caso sério. Com os seus 14,2% de grau alcoólico bate-se com qualquer refeição, reforçando o seu carácter gastronómico. Muita frescura e muita mineralidade elegem-no como um dos grandes vinhos para esta época.

6. Monte D’Oiro

Desta quinta da região de Lisboa temos o Quinta do Monte D’Oiro Madrigal, feito com a casta Viognier. Exibe imensa fruta, mineralidade e toques de salinidade pela sua presença junto ao Atlântico e pode afirmar-se que é outro vinho onde impera a frescura e clara aptidão para acompanhamento de pratos de peixe, mariscos, saladas e carnes brancas.

7. SCALA COELI

Da Adega da Cartuxa, em Évora, recebemos este enorme Scala Coeli Alvarinho 2015, sendo curioso aqui ver como evolui a casta Alvarinho em terreno mais quente do que aquele a que normalmente está habituada. É um êxito. Estrutura, acidez e frescura são os seus atributos, indicando-o como outro vinho gastronómico.

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José Manuel Moroso integrou os quadros do EXPRESSO como jornalista e aí trabalhou em várias áreas durante mais de 20 anos. Foi durante muitos anos responsável pela famosa secção Gente (Expresso), substituindo Pedro d’ Anunciação, passou pela política, foi editor de desporto, editor dos Guias do Expresso e do Livro da Boa Cama e da Boa Mesa e editor da Sociedade. Especializou-se, também, em críticas de vinhos e a escrever sobre relógios. Transitou, depois, para o jornal Sol, acompanhando a anterior direcção do EXPRESSO, onde se manteve nove anos, até ao final de 2015.