Uma espécie de volta ao mundo em 11 dias. Sem sair da mesa. Cada vez mais, as experiências verdadeiramente únicas são aquelas que valem a pena escolher. Para os que gostam de sensações gastronómicas novas, o Vila Joya, no Algarve, passou a ser, anualmente, a peregrinação obrigatória. É o “combate” dos chefs.

A apresentação, n’O Cantinho do Avillez, restaurante do jovem chef português José Avillez, no Chiado, prometia – estava aí a 6.ª edição do International Gourmet Festival, único no país e cada vez mais obrigatório no calendário gastronómico internacional.

As estrelas norte-americanas Michael Imperioli (da série “Sopranos”) e Diane Neal (“Lei e Ordem” e “NCIS”) emprestavam a cara ao festival. Imperioli é um “veterano” em Portugal, confessando-se totalmente rendido ao património paisagístico, cultural e gastronómico do país.

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A primeira edição do festival gastronómico partiu da ideia de uma série de clientes do Vila Joya Boutique Resort, complexo na Praia da Galé, Albufeira, Algarve. Eles quiseram, em 2007, assinalar os 25 anos do restaurante onde tudo começou e homenagear a fundadora, entretanto falecida, Claudia Jung. Por isso o se ter acrescentado “Tribute to Claudia” à marca do evento. Era para ser um acontecimento único, mas o êxito foi tal que se montou uma logística à volta dele e já vai na sexta edição.

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A ideia inicial foi convidar apenas Chefs com Estrelas Michelin, para uma cimeira algarvia, onde cada um preparava uma refeição de 6 a 8 pratos, acompanhada de vinhos escolhidos à medida. Na edição de 2012, essa vertente continuou – estiveram presentes um total de 65 Estrelas Michelin, vindos de todo o mundo, nomeadamente o chef do Vila Joya, Dieter Koshina, que participou no “dia das estrelas portuguesas”.

O jovem chef José Avillez foi também convidado para esse dia. O Vila Joya, cujo chef Dieter Koschina ganhou a sua primeira Estrela Michelin em 1995, repetindo a proeza em 1999, é actualmente o único restaurante do país com um chef galardoado com duas destas distinções.

O programa da 6ª edição teve algumas novidades – começou desta vez em Lisboa, onde se concentraram todos os convidados, muitos deles jornalistas vindos dos Estados Unidos, seguiu para o Vila Joya e teve um dia numa herdade alentejana produtora de vinho, a Malhadinha. Corridas de carros no Autódromo do Algarve e partidas de golfe estiveram também na “ementa”.

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A 12 de Janeiro deu-se a abertura não oficial do festival, sob a direcção do chef holandês Marco Westmaas, um especialista em peixe. E, a 13 de Janeiro, a Turbilhão esteve no Vila Joya, a convite da organização, para o primeiro dia oficial do festival, denominado “13 Stars Portugal”, com chefes nacionais ou estrangeiros, distinguidos com Estrelas Michelin, e com actividade no país. Dieter Koschina (2 Estrelas Michelin, Vila Joya), Hans Neuner (2 Estrelas Michelin, The Ocean), Albano Lourenço (1 Estrela Michelin, Arcadas da Capela), Vivent Farge (1 Estrela Michelin, Fortaleza do Guincho), Henrique Leis (1 Estrela Michelin, Henrique Leis), Benoit Sinthon (1 Estrela Michelin, Il Gallo d’Oro), Torsten Schulz (1 Estrela Michelin, São Gabriel), Vitor Matos (1 Estrela Michelin, Largo do Paço), Aime Barroyer (1 Estrela Michelin, Tavares), Willie Wurger (1 Estrela Michelin, Willie’s), José Cordeiro (1 Estrela Michelin, Feitoria), Ricardo Costa (1 Estrela Michelin, Yeatman) e José Avillez (Belcanto) cozinharam um jantar de que aqui lhe deixamos o menu: Ostra, Salmonete, Caviar em 3 Texturas servido em 3 Pratos, por Dieter Koschina, Albano Lourenço e Aime Barroyer; Vieira, por Benoit Synthon; Pregado, por Henrique Leis; Perdizes servidas em 2 Pratos por José Avillez e José Cordeiro; Rabo de Boi, por Ricardo Costa; Sobremesa de Chá & Laranja, por Hans Neuner.

Três horas de degustação, acompanhadas por vinhos que iam sendo escolhidos à medida dos pratos. Uma odisseia para o palato e um desafio à memória gustativa. Aqui na Turbilhão, confessamos ter preferido os pratos de carne – especialmente os de caça. Quanto aos peixes, achamos que, quanto mais ao natural, melhor… Antes do jantar, a Turbilhão andou pelos bastidores do evento – almoçou mesmo na cantina do pessoal, onde uma carne de porco à alentejana uniu portugueses, alemães, suecos, finlandeses, norte-americanos, franceses…

Nos dias seguintes actuaram Hans Välimäki (Chez Dominique – Finlândia), 2 Estrelas Michelin, Restaurante nº1 na Finlândia e nº 35 na lista San Pellegrino; Koschina & Friends – Noite com o Chef Koschina e amigos; Joachim Wissler (Vendôme – Alemanha), 3 Estrelas Michelin, Restaurante nº 1 na Alemanha e nº 21 na lista San Pellegrino; Magnus Nillson (Faviken Magasinet – Suécia), estrela em ascensão: foi a estreia no Festival do chef Sueco que recebeu o “Hot&New” em 2011; Shaun Hergatt (EUA) – Recebeu recentemente a sua segunda estrela Michelin; Alain Passard (L’Apèrge – França), 3 Estrelas Michelin, restaurante nº3 em França e nº19 na lista San Pellegrino, conhecido pelos seus pratos de vegetais; April Bloomfield (EUA), que confeccionou um almoço, e Laurent Gras (L2O – EUA), 3 Estrelas Michelin, que confeccionou o jantar; Normand Laprise (Restaurant Toque – Canadá), com 3 Estrelas Michelin; Massimo Bottura (Osteria Francescana – Itália), 2 Estrelas Michelin, nº 4 no ranking mundial e nº1 em Itália. Na última noite, Sheryl Crow actuou para os participantes.

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Pelo meio, uma ida à Quinta da Malhadinha, no Alentejo, onde o chef April Bloomfield, “dono” de uma estrela Michelin (Restaurante Spotted Pig em Nova Iorque) preparou um almoço com inspiração nacional, reinterpretando sabores bem conhecidos dos portugueses. Tempo ainda para um rally no meio das vinhas e para um passeio em balão. Para o ano há mais.

Leia mais na edição impressa da Turbilhão.