Responsável pelo design de alguns dos modelos mais icónicos da história recente da relojoaria, Gerald Genta foi um verdadeiro mestre na sua área e dispensa apresentações. No ano em que se celebram 50 anos da fundação da marca homónima do designer relojoeiro, a Bulgari lança um relógio de edição especial comemorativo da efeméride e a Turbilhão recorda alguns dos modelos lendários, cujo design possui a assinatura Gerald Genta.

Durante a sua longa e frutífera carreira, Gerald Genta desenhou alguns dos modelos mais icónicos do mundo da relojoaria, trabalhando com marcas como a Omega, Audemars Piguet, IWC, Bulgari e até Cartier, acabando por criar uma marca homónima independente, hoje absorvida pela Bulgari. O mestre do design revolucionou a indústria e foi o grande responsável pelo nascimento de uma das categorias relojoeiras mais bem sucedidas da actualidade: a do relógio desportivo de luxo.

Mas comecemos pelo principio. A primeira marca a oferecer um contrato a Gerald Genta foi a Omega. Em 1959, o então Director Criativo da marca de Bienne, Pierre Moinat, ofereceu ao designer a oportunidade de trabalhar em exclusivo com os fornecedores de mostradores, caixas e braceletes da Omega. Na época, os modelos mais famosos em que Genta trabalhou, entre o final dos anos 50 e inicio dos 60, foram o Seamaster e o Constellation.

 

Os desportivos

Contudo, de entre os muitos designs criados por Gerald Genta houve dois que se destacaram e, provavelmente, definiram a sua reputação entre coleccionadores e apaixonados pela relojoaria. O primeiro, e talvez um dos mais emblemáticos da história do sector, nasceu de uma noite particularmente produtiva. Em 1969, um dia ao final da tarde, o designer recebeu um telefonema do Director Geral da Audemars Piguet, Georges Golay, com um pedido especial e urgente. A marca de alta relojoaria precisava do design para um relógio desportivo e necessitava dele para a manhã seguinte. Inspirando-se nos escafandros dos mergulhadores, com os parafusos visíveis, Genta trabalhou durante toda a noite, transferindo a forma octogonal dos capacetes de mergulho para o design desta peça, mantendo os parafusos na luneta. Nascia assim o icónico Royal Oak da Audemars Piguet.

 

 

“Primeiro estranha-se e depois entranha-se”, diz a sabedoria popular. E com o Royal Oak foi precisamente o que aconteceu. Quando foi lançado, o modelo rompia com todos os cânones relojoeiros estabelecidos, apresentando um design fora do comum e sendo o primeiro relógio desportivo de luxo a ser produzido em aço. A aceitação não foi imediata, mas viria a acontecer. E com tal sucesso que o Royal Oak se mantém, até hoje, como uma das peças mais emblemáticas e bem-sucedidas da Audemars Piguet, cujos elementos de design se mantiveram inalterados, mesmo nas mais recentes encarnações, incluindo o Royal Oak Offshore, introduzido em 1993, e o Royal Oak Offshore Diver, apresentado em 2013. Um modelo revolucionário, que transformou, pela primeira vez na história da relojoaria moderna, o aço num metal precioso, com assinatura do mestre do design.