Passar a linha de partida no momento certo é um dos grandes desafios de qualquer skipper durante uma regata. O novo Ulysse Nardin Regatta introduz um sistema patenteado de contagem regressiva que se arrisca a tornar numa referência entre os relógios de inspiração náutica.

Tal como em quase todos os géneros de desportos, a possibilidade de uma boa classificação final. E se, no caso da Formula 1, a pole position obtida nas sessões de qualificação é determinante para um bom resultado, nas regatas são as manobras e o posicionamento final alcançado logo imediatamente antes do sinal de partida que contribuem para aumentar as probabilidades de vencer a prova.

A mestria necessária por parte do skipper nos minutos que antecedem a partida de uma regata tem inspirado ao longo de décadas as mais diversas marcas de relógios. A Ulysse Nardin, talvez a marca com mais ADN náutico entre as suas congéneres suíças, como prova a adopção do símbolo da âncora, acabou de apresentar durante o Salão de Alta Relojoaria (SIHH) em Genebra um novo modelo chamado Regatta. O relógio foi desenvolvido em parceria com os velejadores Loïck Peyron e Iain Percy, da conhecida equipa Artemis Racing, uma séria candidata à vitória na próxima 35ª edição da America’s Cup.

E como seria de esperar, o Regatta da Ulysse Nardin inclui uma sofisticada função de regata associada ao seu mecanismo de cronógrafo. Uma função com um propósito específico, que segue as regras clássicas de uma prova náutica nos minutos que antecedem a partida e que nem sempre é bem compreendida por quem assiste a uma prova deste género.

As regras são simples: o júri da regata coloca duas bóias a indicar os extremos da linha de largada, sendo uma a bóia de bombordo e a outra a de estibordo. Cada barco terá de cruzar a linha entre as bóias, num sentido em que tenha a bóia de bombordo a bombordo da sua embarcação e a bóia de estibordo no seu estibordo. Não é obrigatório que os extremos da linha sejam bóias, podendo ser marcados pelo barco do júri ou até ser um ponto fixo em terra.

O júri define então qual o tempo da Master Countdown, o tempo inicial da contagem decrescente para o início da regata (habitualmente cinco, sete ou dez minutos), iniciando os barcos as necessárias manobras de forma a passarem a linha não antes da contagem chegar a zero. A violação da linha de partida antes do tempo marcado implica uma penalização, considerando-se uma boa largada aquela em que a linha é cruzada num tempo mínimo depois de a contagem chegar a zero e com o barco na máxima velocidade. Num autêntico bailado náutico a exigir o máximo das capacidades de navegação do skipper, cabe a ele vencer os desafios de ventos, correntes e a posição das embarcações concorrentes, onde um segundo pode representar a diferença entre vencer e ser vencido.

Claro que existem diversos sistemas profissionais digitais de elevada precisão, como o Prostart da Velocitek, o Sailclever, o iRegatta da Let’s Create o Nauteek SC200 ou ainda o Regatta Tactic Compass da Embedia, alguns deles criados para iOS e Android. Mas a possibilidade de controlar, em paralelo, todo o processo da contagem regressiva a partir de um relógio de pulso mecânico de uma marca histórica, cujos cronómetros de marinha equipavam os grandes veleiros já no final do século XIX, acrescenta um factor de elegância e prazer indiscutível à tarefa.

 

O novo Ulysse Nardin Regatta é, pois, uma proposta extremamente apetecível, tanto do ponto de vista técnico como estético. A estrear o calibre UN-155 de corda automática (desenvolvido a partir do calibre UN-153) com 650 componentes e 72 horas de autonomia, o mecanismo inclui uma patente associada à função de contagem regressiva localizada no centro do mostrador (escala amarela), que permite que o sistema possa ser programado entre dez a um minutos (botão ás dez horas), fazendo arrancar instantaneamente o ponteiro de segundos bidireccional assim que se esgota o tempo pré-definido. De um movimento contrário ao sentido horário, o ponteiro dos segundos central inverte instantaneamente a sua trajectória com recurso a um sistema inversor assim que se esgota o tempo programado, dando inicio à cronometragem efectiva da prova.

Carlos escreve como freelancer para diversas publicações nacionais e internacionais sobre o tema que sempre o fascinou, a alta-relojoaria. Uma área que considera ser uma porta para um mundo muito mais vasto, multidisciplinar e abrangente - uma fonte de informação cientifica, histórica e social quase inesgotável sobre quem somos e como aqui chegamos.