Marc Hayek. Fevrier 2011 © Fred Merz / Rezo.ch

CEO de três das mais importantes marcas do Grupo Swatch – Breguet, Blancpain e Jaquet Droz -, Marc Hayek fala-nos, nesta segunda parte da entrevista que concedeu à Turbilhão, da insígnia que gere há mais tempo e que, talvez por isso, possui mais do seu ADN.

Que mudanças trouxe ao Swatch Group a integração das manufacturas Fréderic Piguet e Nouvelle Lemania na Blancpain e Breguet, respectivamente?

Houve sempre uma ligação entre estas duas manufacturas e as respectivas marcas. No fundo, o que fizemos foi dar um passo em frente na estratégia de integração vertical e atacar os problemas de frente. Esta integração surgiu no momento certo. Na Blancpain, por exemplo, levámos algum tempo a reunir produção suficiente para justificar desenvolvimento industrial específico para a marca. É uma questão de capacidade de maquinaria. De outra forma entraríamos numa espiral de custos de produção que não seriam razoáveis em relação ao produto. E a lógica é a mesma na Breguet, onde os movimentos são o cerne da questão. As capacidades manufacturadoras da ETA para o grupo, da Lemania para a Breguet e da Frédéric Piguet para a Blancpain, fazem todo o sentido.

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Considera que a Blancpain, especialmente com a colecção L-Evolution, se está a tornar uma marca mais desportiva?

Sim e não. Na realidade, penso que estamos a recuperar uma parte da história da marca se pensarmos que até aos anos setenta a Blancpain era uma marca mais desportiva do que clássica, com modelos como o Fifty Fathoms. Mais tarde, e devido à crise do quartzo, quando se tentou reanimar a indústria relojoeira mecânica, a única forma de o fazer foi com modelos clássicos e, nessa época, a Blancpain tornou-se, de certa forma, mais clássica. Hoje em dia, o mercado está totalmente diferente e há novamente espaço para modelos mecânicos desportivos, daí termos recuperado o Fifty Fathoms. Penso que a ideia é manter o ADN da marca, unindo-se todas as vertentes, clássica e desportiva, no caso da Blancpain. Há que respeitar o espírito, ao mesmo tempo que incorporamos a mais recente tecnologia. A colecção clássica irá manter-se e continua a ser muito importante, nomeadamente em termos de quantidades e complicações. Por outro lado, a linha Fifty Fathoms, embora mais pequena é também essencial para a imagem da marca. O mesmo acontece com a colecção L-Evolution que apresenta modelos mais “extremos”. Não pretendo mudar a marca. A Blancpain já tinha um lado mais desportivo e outro mais clássico. É uma questão de se unirem as duas vertentes do ADN da marca na mesma oferta de produtos. Desta forma, a Blancpain fica mais completa.

E também é um amante do desporto, portanto a Blancpain também tem um pouco do seu ADN…

Sim. Mas a Blancpain também é diferente das outras duas como marca e por isso, talvez, a minha influência foi um pouco maior. Ou seja, na Blancpain tínhamos, à semelhança da Breguet e da Jaquet Droz, um lado muito técnico, mas não tínhamos um fundador tão carismático na época como nas outras duas. O que a Blancpain sim teve foi CEOs muito carismáticos mais tarde, como Jean-Jacques Fiechter ou Jean-Claude Biver. Isso influenciou fortemente a marca. Portanto, percebemos que esta é uma marca onde temos de dar uma grande parte, porque esse é o espírito da própria Blancpain. Temos de amar a mecânica, respeitar os códigos, mas criamos mais. A Blancpain precisa exactamente desta personalidade, deste toque pessoal para influenciar, o que não acontece tanto com a Breguet ou a Jaquet Droz. Talvez daqui a 60, 70 ou 100 anos não se precise disso na Blancpain, porque sinto que estamos a completar a marca. Na Jaquet Droz e na Breguet os fundadores completaram a marca, deram-lhes um espírito. Com a Blancpain, talvez possamos aguçar este espírito. Portanto, acho que influencio mais a Blancpain do que o faria com a Breguet ou com a Jaquet Droz, mas claro que há sempre um pouco da minha personalidade nos relógios que produzimos. Claro que temos que ter em conta o ADN e o estatuto da marca, mas penso que é muito importante que o ADN da marca e a nossa personalidade combinem. Para mim, a relojoaria é uma forma de arte, quase como uma pintura. A nossa personalidade tem, claramente, que estar envolvida no processo de criação.