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Em 2020, a IWC apresentou um novo IWC Portugieser Cronógrafo, com a referência 3716, que substitui um ícone de 22 anos, o clássico Portugieser Cronógrafo 3714. à primeira vista, as diferenças são inexistentes, mas existem. Sobretudo no “motor” que dá vida a este ícone. Descubra-as.

Antes de avançarmos para a análise comparativa entre o novo IWC Portugieser Cronógrafo 3716 e o seu antecessor, importa fazer uma pequena incursão histórica às origens desta família de relógios IWC e, em particular, aos cronógrafos da colecção.

Concebido a pedido de dois portugueses e completamente desligado daquilo que era apreciado na época, o modelo revelou-se, porém, predecessor das futuras tendências, dando origem a uma colecção própria. Mais de 80 anos depois, o Portugieser é, actualmente, um dos maiores êxitos da manufactura de Schaffhausen.

A relação de Portugal com o mar e a exploração marítima é sobejamente conhecida. Vasco da Gama, Bartolomeu Dias ou Fernão de Magalhães são apenas alguns dos nomes que ficarão para sempre ligados à história do nosso país e do mundo pelos caminhos que trilharam e que tão grandemente contribuíram para os primórdios da globalização, através da ligação marítima entre povos e culturas distintas.

O primeiro IWC Portugieser de 1939, ref. 325

A navegação, os Descobrimentos, o espírito empreendedor na busca de novas soluções e instrumentos de precisão que permitissem levar a bom porto os desejos exploratórios de um povo são, indubitavelmente, parte intrínseca da alma lusitana. E foi esta paixão pelo mar e pela precisão que, indirectamente, esteve na origem do relógio Portugieser da IWC.

A história deste modelo de sucesso remonta ao final dos anos trinta do século passado, quando dois empresários portugueses ligados à relojoaria – Rodrigues e Teixeira – contactaram a IWC em Schaffhausen, propondo o desenvolvimento de um relógio de pulso de dimensões generosas, cujo movimento pudesse igualar a precisão de um cronómetro de marinha. Na época, a única forma de ir ao encontro dos desejos dos dois portugueses, era equipar o modelo pedido com um movimento de relógio de bolso.

Partindo do calibre 74 – que equipava os relógios de bolso estilo hunter e que, como tal, apresentava a coroa na lateral direita da caixa, ao invés de no topo – a IWC criou, em 1939, o primeiro Portugieser. Tratava-se de um relógio imponente para os parâmetros da época, cuja caixa de 43 mm em muito excedia o tamanho popular nos modelos de pulso, geralmente inferior a 33 mm, e cujo design sóbrio e simples contrastava com o estilo Art Déco muito utilizado então.

O nascimento do Portugieser Cronógrafo

Depois de alguns anos praticamente “esquecido”, com exemplares vendidos, durante os anos 70 e 80, apenas para o mercado alemão, o regresso do IWC Portugieser, como uma colecção consistente, ocorreu em 1995, com a introdução do IWC Portugieser Cronógrafo Rattrapante Ref. 3712 – um relógio que introduziu todos os elementos de design moderno.

IWC Portugieser Cronógrafo Rattrapante, ref. 3712

Em 1998, três anos após a introdução do Cronógrafo Rattrapante 3712, a IWC lançou um modelo simplificado – Ref. IW3714 – um cronógrafo que partilhava o mesmo design, a mesma caixa e o mesmo mostrador. A principal diferença dizia respeito às funções, já que o 3714 eliminou a função rattrapante e equipou-se com um movimento automático.

A beleza deste relógio reside na sua extrema simplicidade e na simetria do seu design. Mesmo sendo alimentado por um calibre com base Valjoux, o movimento foi drasticamente modificado pela IWC. Rapidamente, o IWC Portugieser Cronógrafo 3714 se transformou num sucesso de vendas, mantendo-se inalterado durante 22 anos, com excepção para as ocasionais variações de mostrador.

Novo Portugieser Cronógrafo vs antecessor

Em 2020, a IWC decidiu dedicar atenção a uma das suas peças mais icónicas. Mas como actualizar um ícone sem perder a sua essência? A resposta da IWC é simples: alterar apenas o estritamente necessário, neste caso o movimento, que passa a ser de manufactura. Visualmente, à excepção de pequenos pormenores, o novo 3716 é quase igual ao 3714.

À esquerda, o novo Portugieser Cronógrafo 3716; à direita o seu antecessor 3714

O relógio mantém o seu design e proporções, o mostrador, os contadores, acabamentos, ponteiros e bracelete. Um olhar mais atento revela, no entanto, algumas actualizações. Uma das razões do sucesso do cronógrafo Portugieser da IWC foi a dimensão relativamente pequena da sua caixa. No antigo 3714, media 40,9 mm; com o calibre actualizado, o novo modelo mede agora 41 mm. O mesmo vale para a espessura da caixa, que é 0,3 mm mais alta, mas apenas o fundo da caixa é mais alto, a caixa em si mantém o mesmo perfil. Na realidade, este aumento de tamanho é praticamente imperceptível.

Um olhar mais atento revela que também os botões são ligeiramente diferentes, com a secção superior mais fina, mas um pouco maior. A coroa não muda e a caixa possui os mesmos acabamentos, com superfícies planas polidas e o aro ultrafino, enquanto as laterais da caixa são escovadas.

A pulseira em pele de crocodilo também se mantém, mas com um fecho distinto. O IWC Portugieser Cronógrafo 3716 está agora equipado com um fecho de báscula triplo mais fino e menor do que o antecessor. Isso permite que o fecho esteja sempre centralizado, permitindo um maior conforto para pulsos menores. A nova colecção recebe igualmente um bracelete em aço.

No que ao mostrador diz respeito, as diferenças são, também elas, praticamente nulas. Facilmente reconhecível graças ao seu display simétrico e minimalista, o novo Portugieser Cronógrafo 3716 mantém os algarismos árabes, os índices em forma de pontos para os minutos, os ponteiros em forma de folha e a ausência da exibição da data. Os contadores, com o totalizador de 30 minutos às 12h e os pequenos segundos às 6h, também se mantêm, assim como as suas dimensões e o espaço entre os contadores e os ponteiros centrais. A única diferença perceptível é o logótipo “IWC Schaffhausen”, com uma fonte mais moderna e um tamanho um pouco menor. Novas cores de mostrador foram igualmente adicionadas à colecção.

Há muito tempo que a IWC produz os seus movimentos in-house, sendo os calibres cronógrafo um dos principais produtos da marca. No entanto, até recentemente, os cronógrafos de manufactura da IWC implicavam o a família de calibres 89000, um movimento complexo, potente e grande. Contudo, com o lançamento da nova colecção Ingenieur, em 2016, a marca decidiu adicionar ao seu portefólio mais um movimento cronógrafo de manufactura, desta vez, porém, com uma mecânica mais simples e dimensões mais contidas.

Esta nova família de movimentos 69000 traduz-se em calibres práticos, fiáveis e robustos, projectados para equipar relógios mais simples. Estes movimentos eliminam certos elementos de assinatura da IWC, como o sistema de corda Pellaton (embora disponham de um sistema de clique parecido com o sistema de corda Pellaton). Além disso, e embora desenvolvido, projectado e fabricado pela IWC em Schaffhausen, este movimento possui uma arquitectura deliberadamente parecida com a do calibre 7750, de modo a torná-lo facilmente adaptável aos modelos já existentes.

O movimento encontrado no novo IWC Portugieser Cronógrafo 3716, o calibre 69355, diferencia-se do antecessor 7750 ao apresentar uma roda de colunas para as operações de start / stop / reset, tornando os botões muito mais suaves de usar do que no antigo 3714. Por outro lado, a reserva de marcha aumenta de 44 para 46 horas. Finalmente, o calibre 69355 é visível através do fundo da caixa em vidro de safira.

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