A região do Douro é uma das mais bonitas de Portugal e é também uma das que produz dos melhores vinhos do mundo. Percorrer algumas das suas mais famosas quintas, pernoitar em casas históricas e provar dos seus vinhos é ficar a conhecer um pouco da história de Portugal e das suas gentes.

É a região demarcada mais antiga do mundo e o vinho é aqui rei e senhor moldando a vida das gentes. Por ele, e pelas vinhas que o alimentam, houve disputas, casamentos por interesse e juras de paixão eterna.

Estamos a falar do Douro, região ao mesmo tempo bela e cruel para os homens que foram escavando aqueles socalcos à custa de muito sangue, suor e lágrimas.

Até o tempo se mostra impiedoso, especialmente quando as tórridas temperaturas de verão lambem o xisto e as feridas da alma.

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Mas a paisagem que se abre a cada curva do rio, de uma beleza esmagadora, e os vinhos que aquelas terras nos dão, justificam bem a razão pela qual os homens lutaram (e lutam) por cada palmo de terra. E tudo isto é também o objectivo que aqui nos traz, tentando transmitir um pouco dos autênticos passeios de sonho que todos nós por aqui podemos fazer.

Vamos partir, pois, por uma pequena rota que tem dois fins bem definidos: o usufruto de paisagens ímpares e a descoberta de alguns dos melhores vinhos do mundo.

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Propomos que a nossa viagem comece em Peso da Régua, optando, para já, pela margem direita do rio Douro.

O nosso primeiro destino será a Quinta do Vallado cuja história remonta a 1716 e que pertenceu a D. Antónia Adelaide Ferreira, a célebre Ferreirinha, mulher que encarna, por si só, os mais importantes episódios da história do vinho em Portugal.

A Quinta do Vallado até pode funcionar como base para grande parte do nosso passeio e isto porque oferece alojamento de grande qualidade, dividido enta a Casa Tradicional, onde a Ferreirinha chegou a viver, e o novo Wine Hotel concluído em 2012.

As ofertas são muitas e vão desde passeios pedestres, de bicicleta, barco ou jipe, até à pesca e piqueniques. Depois podemos provar os seus vinhos, visitar a adega e as caves e fazer um curso de iniciação à prova do precioso néctar. Mas não nos fiquemos por aqui.

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Não muito longe, e na mesma margem, chegamos a outra famosa quinta, a do Crasto, cuja casa mãe se ergue num antigo castro romano e onde as primeiras referências datam de 1615. A propriedade pertence hoje a Leonor e Jorge Roquette e por aqui provaremos outros vinhos, entre os de mesa e os Porto, sem esquecer que por marcação até lá poderemos almoçar ou jantar.

E garantimos que vale bem a pena! Sobretudo a panorâmica que se tem da piscina desenhada pelo arquitecto Souto Moura e que nos parece transportar rio adentro. Um sonho.

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A próxima paragem é a vizinha Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, propriedade da família Amorim desde 1999 e que, depois do Vallado, pode ser o nosso próximo alojamento. Obrigatória a visita às vinhas, à adega e sala de barricas abrindo o caminho para o grande momento da prova.

E para compor a visita que tal um desafio para cada um criar o seu próprio vinho?

Quinta-de-la-Rosa2_0_732x458Deixada a Quinta Nova e caminhando em direcção ao Pinhão, vamos visitar a Quinta de La Rosa, oferecida como presente de baptismo a Claire Feuheerd, em 1906.

Claire é avó de Sophia, a mulher que hoje está à frente da propriedade e que oferece, para além das tradicionais provas de vinhos, um alojamento de qualidade.

Isto e ofertas de tentadoras caminhadas pelos imensos cenários do Douro, para além de uns passeios de barco e de uns retemperadores piqueniques.

QUINTADOVALEMEAOIMG_3807_732x458Ainda na margem direita, passado o Pinhão e lá muito mais ao fundo, alguns quilómetros galgados passando ao lado de outras quintas, temos de ir, obrigatoriamente à Quinta do Vale Meão.

E vale bem a pena! Em terras dos Olazabal, e pela mão de um seu familiar (Fernando Nicolau de Almeida), foi aqui que se fez o primeiro Barca Velha, o icónico vinho que nasceu de ‘parto difícil’ mas cuja fama continua a galgar fronteiras.

Os pais Olazabal, o filho Francisco (enólogo) e a irmã Luísa (a responsável pelo marqueting) abrem as portas a outra casa que foi da Ferreirinha e que nasceu de um incrível instinto para o negócio que esta sempre demonstrou. E isto porque decidiu comprar, a preços de saldo, terrenos postos a leilão pela Câmara de Vila Nova de Foz Coa, longe de tudo e de todos.

Era uma loucura, ‘atacavam’ alguns, apontando a enorme distância dos centros comerciais, mas a Ferreirinha tinha outros trunfos: sabia que o caminho-de-ferro iria passar bem perto. E passou! 

QUINTADASCARVALHAS1DSC01192_732x458Mas mudemo-nos agora para a margem sul do Douro, ela também cheia de recantos e quintas para visitar. Mesmo em frente ao Pinhão, e no cimo de um monte, avistamos claramente uma casa. É a Casa redonda, erguida a 550 metros de altitude, qual miradouro em local único para se avistar paisagem deslumbrante. Estamos agora na Quinta das Carvalhas, propriedade da Real Companhia Velha. Na Casa Redonda pode almoçar mediante encomenda prévia, mas a visita que o aguarda é igualmente tentadora. A bordo de um minibus descapotável com partida do Pinhão pode visitar toda a quinta e também a sua loja onde poderá provar os seus vinhos.

Também na margem sul, e agora já a caminhar para os lados da Régua, temos outra propriedade, a Quinta do Seixo, propriedade da Sogrape que a comprou em 1987. A visita à adega, aos lagares e à garrafeira é de não perder assim como provas de vinhos do Porto.

QUINTADOVALEMEAO_MG_5472_732x458Por último, nesta já longa viagem, passemos ainda pela Quinta do Pôpa onde a oferta é vasta. Com um grupo de seis pessoas podemos reservar um almoço ou jantar com o enólogo, que nos explicará as harmonizações entre a comida e cada um dos vinhos.

Outro programa é o da visita à adega, lagares, sala de cascos, garrafeira e, claro, à sala de provas, onde poderemos degustar os vinhos saídos da quinta.

A descoberta de todos estes cenários deslumbrantes parece não ter fim, mas qualquer um destes passeios transporta-nos um pouco para dentro da história de uma das regiões mais bonitas de Portugal e também da que produz dos melhores vinhos do mundo. Basta fazer as malas!


Contactos Rota do Douro

QUINTA DO VALLADO
Vilarinho dos Freires – Peso da Régua
Tefs: 254 318 081; 934 582 446; 939 103 584; 935 847 473
reservas@quintadovallado.com

QUINTA DO CRASTO
Gouvinhas
Telfs: 254 920 020; 934 920 024
crasto@quintadocrasto.pt

QUINTA NOVA DE NOSSA SENHORA DO CARMO
Covas do Douro
Telfs: 254 730 430; 969 860 056
hotelquintanova@amorim.com

QUINTA DE LA ROSA
Pinhão
Telf: 254 732 254
holidays@quintadelarosa.com

QUINTA DO VALE MEÃO
Pocinho – Vila Nova de Foz Côa
Telf: 279 762 156

QUINTA DAS CARVALHAS
Pinhão – S. João da Pesqueira
Telfs: 254 738 050; 925 141 948
turismorealcompanhiavelha@gmail.com

QUINTA DO SEIXO
Tabuaço – Valença do Douro
Telf: 254 732 800
visitas.seixo@sandeman.eu

QUINTA DO PÔPA
Adorigo – Tabuaço
Telf: 916 653 442
geral@quintadopopa.com

José Manuel Moroso
José Manuel Moroso integrou os quadros do EXPRESSO como jornalista e aí trabalhou em várias áreas durante mais de 20 anos. Foi durante muitos anos responsável pela famosa secção Gente (Expresso), substituindo Pedro d’ Anunciação, passou pela política, foi editor de desporto, editor dos Guias do Expresso e do Livro da Boa Cama e da Boa Mesa e editor da Sociedade. Especializou-se, também, em críticas de vinhos e a escrever sobre relógios. Transitou, depois, para o jornal Sol, acompanhando a anterior direcção do EXPRESSO, onde se manteve nove anos, até ao final de 2015.