A propósito do centenário da Aviação Naval Portuguesa, a Longines lança um relógio de edição especial, evocativo da efeméride.
Quando, em 2016, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, inaugurou uma estátua bem no centro de Vila Nova da Rainha, Concelho da Azambuja, no Ribatejo, a 50 km ao norte de Lisboa, foram muito poucos os seus habitantes que reconheceram o significado do monumento. O que estava ali a fazer a representação de um avião? Pois foi ali, exactamente naquele local que foi construído, em 1916, um complexo da Marinha Portuguesa, um aeródromo e escola de pilotagem, de onde saíram os primeiros pilotos de avião militares do país. Dessas instalações não resta, há muito, nada. E a memória colectiva do lugar foi esquecendo por completo que ali tinha nascido a aviação militar portuguesa. Entre os instrutores estava Sacadura Cabral (1881-1924), nome que se iria tornar famoso. A escola de aeronáutica e o quartel adjacente funcionaram até 1920.   O esforço de Portugal em criar um corpo de aviação militar dá-se no contexto da I Guerra Mundial, que começou em 1914. Foi nesse conflito que se assistiu, pela primeira vez, ao uso de aviões, permitindo uma rápida evolução em táctica e combate no ar. Foi em 1915 que o Ministério da Guerra abriu o primeiro concurso entre oficiais da Marinha e do Exército para a formação e obtenção do brevet de pilotos aviadores em França, Inglaterra e Estados Unidos. Só mais tarde, com a construção das infra-estruturas de Vila Nova da Barquinha e a aquisição das primeiras aeronaves, abre o primeiro curso de pilotagem em Portugal, que funcionou na chamada Escola de Aeronáutica Militar. Portugal entrou no conflito mundial em 1916 e, a partir de então, os seus portos, navios e vias de comunicação passaram a estar sob ameaça dos submarinos alemães. A utilização de meios aéreos, em articulação com os meios navais existentes, possibilitaria uma maior eficácia na vigilância e defesa dos portos e litoral português. No início de 1917, Sacadura Cabral, oficial da Marinha, e piloto recém-formado em França, especializado em hidroaviões, apresentou ao Ministro da Marinha uma proposta para a criação de um dispositivo aéreo de vigilância da costa. Na convenção luso-francesa de 21 de Junho de 1917, estabeleceu-se a criação de um Centro de Aviação Marítima (CAM) em São Jacinto. Aveiro, sob responsabilidade da Marinha Francesa, competindo a Portugal a criação dos restantes dois: em Lisboa e no Algarve (este último não chegaria a ser activado). A 28 de Setembro de 1917 é criado o Serviço e Escola de Aviação da Armada. Nascia assim, já no terreno, a aviação militar em Portugal.

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Fernando Correia de Oliveira (Lisboa, 1954), é jornalista e investigador do Tempo. Licenciado em Direito, esteve 20 anos como quadro da Agência Noticiosa Portuguesa, saindo como Director-Adjunto de Informação para ser o primeiro correspondente da Lusa em Pequim, onde viveu entre 1988 e 1990. Ingressou no PÚBLICO, onde foi Editor de Sociedade e especialista em Política Internacional na zona da Ásia-Pacífico (China, Japão, Coreia) entre 1993 e 2002. Desde esse ano é jornalista freelance, especializado em Tempo e Relojoaria, uma das suas paixões de sempre. Editor-Chefe do Anuário Relógios & Canetas, nas suas edições em papel e online, mantém o blog Estação Cronográfica (o mais importante do seu género em língua portuguesa, com mais de 40 mil visitas mensais). Colabora com muitos outros títulos especializados da área da Relojoaria, em Portugal, Espanha, Brasil, México ou Coreia do Sul. Membro de várias organizações internacionais dedicadas ao estudo do Tempo e de vários júris estrangeiros envolvidos na escolha dos Relógios do Ano, é consultor do Governo Português na área do Património Relojoeiro. Tem um vasto conjunto de obras publicadas sobre a temática – nomeadamente História do Tempo em Portugal ou Dicionário de Relojoaria.

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