O Santos de Cartier é o relógio mais famoso da história da aviação e a consequência do prémio “Deutsch”, um desafio aeronáutico criado por um magnata do petróleo e ganho por um brilhante e temerário pioneiro da aviação.

Num momento da história em que Alberto Santos-Dumont tinha há já alguns anos trocado o seu Brasil Natal pela cosmopolita Paris e estreava, um após o outro, as diversas evoluções dos seus aeróstatos e dirigíveis, o seu amigo, colega e presidente do prestigiado “Aèro-Club de France” decide lançar um desafio muito especial que apelida simplesmente de “Prémio Deutsch”.

Henri Salomon Deutsch de la Meurthe, magnata do petróleo, foi um dos maiores entusiastas e patrocinadores da aviação do século XX. Co-fundador do Aéro-Club de France em 1898, e antes do Automobile Club de France (ACF) em 1895, Deutsch mantinha o espírito vigente na época de desafiar os limites da ciência e da tecnologia de forma a promover o seu desenvolvimento.

A 24 de Março de 1900, Henri decide instituir o prémio “Deutsch de la Meurthe”, também conhecido apenas como o prémio “Deutsch”, de 100.000 francos destinado à primeira máquina capaz de voar num percurso de ida e volta do Parc Saint Cloud até a Torre Eiffel, em Paris, num período de tempo inferior a trinta minutos. O vencedor do prémio teria de manter uma velocidade média em relação ao solo de pelo menos 22 km/h de forma a cobrir a distância de 11 km dentro do tempo previsto. O prémio estaria apenas disponível entre o 1º dia de Maio de 1900 e o 1º dia de Outubro de 1903. A ambiciosa tarefa representava um desafio que muitos consideravam impossível de alcançar.

Mas este também era assumidamente um desafio à altura das ambições de Alberto Santos Dumont que, mal tem conhecimento do prémio, decide construir o Santos-Dumont nº 5, um dirigível maior e mais sofisticado do que o seu modelo anterior. A 8 de Agosto de 1901, durante uma das diversas tentativas de cumprir o percurso, o dirigível começa a perder gás, dando inicio a uma descida não controlada que leva a uma colisão com o telhado do Hotel Trocadero. O incidente acabou por deixar Santos-Dumont perigosamente pendurado na cesta do dirigível enquanto uma multidão assistia ao desenrolar do drama. Com a ajuda preciosa do corpo de bombeiros de Paris, Dumont foi resgatado apenas com algumas costelas doridas, e a cena ficou imortalizada na primeira página do “Le Petit Journal”.

Na própria tarde do dia do acidente com o No.5, Santos Dumont começa a trabalhar num dirigível substituto, que concluí a 1 de Setembro. Semelhante ao No.5, mas um pouco maior, o aparelho possuía um envelope de seda envernizada do qual se suspendia uma gôndola descoberta e presa por fios de piano. O dirigível estava equipado com uma série de soluções técnicas e mecânicas que o destacavam de forma marcante dos modelos antecessores.

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Carlos escreve como freelancer para diversas publicações nacionais e internacionais sobre o tema que sempre o fascinou, a alta-relojoaria. Uma área que considera ser uma porta para um mundo muito mais vasto, multidisciplinar e abrangente - uma fonte de informação cientifica, histórica e social quase inesgotável sobre quem somos e como aqui chegamos.

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