ROYAL OAK 50 Anos

Audemars Piguet

60

O icónico Royal Oak celebra 50 anos. Poucos relógios alteraram tão completamente a indústria ou impactaram a nossa concepção de relojoaria como o Royal Oak. Um modelo que não só salvou uma marca, como criou uma nova classe de relógios.

Para perceber a importância do Royal Oak, é preciso primeiro entender a época que precedeu a sua criação. No início dos anos setenta, a Audemars Piguet, assim como muitos outros fabricantes suíços de relógios, enfrentava condições financeiras conturbadas. Os relógios de quartzo do Japão, mais baratos e precisos, causaram uma séria crise na indústria relojoeira suíça, que não tinha ideias claras sobre como parar a dramática queda nas vendas.

Em 1971, a Audemars Piguet percebeu que, sem uma mudança disruptiva, um colapso financeiro era inevitável. Na sequência de um pedido de um distribuidor italiano por um relógio de luxo em aço, a marca decidiu que era hora de apresentar algo totalmente novo: um relógio desportivo e elegante como nunca visto.

Assim, nas vésperas da Feira de Basileia de 1971, Georges Golay, então CEO da Audemars Piguet, ligou para Gerald Genta (um dos designers relojoeiros mais famosos da época) às 16h, incumbindo-o de desenhar um “relógio de aço sem precedentes” para a manhã seguinte. E assim, literalmente de um dia para o outro, nasceu o Royal Oak, a obra-prima de Genta.

Inspirado num capacete de mergulhador tradicional, este revolucionário relógio em aço apresentava uma luneta octogonal fixada por oito parafusos hexagonais visíveis, uma junta de resistência à água também visível e um mostrador decorado com o exclusivo motivo Petit Tapisserie azul. Com apenas 7 mm de espessura, a caixa era, no entanto, bastante grande para a época, apresentando um diâmetro de 39 mm, o que lhe valeu a designação de “Jumbo”. A completar o modelo estava uma pulseira integrada – e muito complexa de construir – em aço inoxidável. A inspiração náutica também se estendeu ao nome – Royal Oak – que fazia referência aos históricos navios de guerra britânicos com o mesmo nome.

Design disruptivo

Em 1972, na Feira da Basileia, o Royal Oak foi apresentado. Tratava-se de um modelo em aço, algo inédito para um relógio de alta relojoaria, com um valor bastante elevado (mais caro do que um clássico Patek Philippe em ouro e mais de dez vezes o custo de um Rolex Submariner), que surpreendeu a indústria com o seu design arrojado e angular, caixa incrivelmente fina e mensagem ousada: a alta relojoaria poderia criar relógios de prestígio sem necessariamente depender de metais preciosos; o enfoque passava a estar no design, na precisão de execução e na qualidade do movimento (neste caso, o escolhido foi o calibre automático 2121).

Mas não houve descolagem imediata para esta linha. O Royal Oak foi alvo de ferozes críticas. No entanto, após o desconcerto inicial do mercado, o modelo tornou-se um enorme sucesso internacional e um dos relógios mais emblemáticos de sempre. Nos anos seguintes, a Audemars Piguet introduziu inúmeras variações do Royal Oak original adoptando metais preciosos, correias em pele e borracha, assim como novas soluções técnicas e complicações.

Actualmente, a colecção Royal Oak abrange desde relógios de mergulho robustos e oficialmente certificados, produzidos em materiais exóticos, como titânio, cerâmica ou fibra de carbono, até delicadas peças de alta relojoaria que podem adivinhar a diferença entre o tempo médio e o tempo das estrelas. No entanto, não importa quão diferente seja a intenção, o design ou o tamanho de um determinado Royal Oak, este está ligado ao resto da linha através do design inovador do original. O “Jumbo” permaneceu no repertório da Audemars Piguet ao longo dos anos, constantemente procurado por coleccionadores e aficionados. Até hoje, continua a receber actualizações regulares e novas variações.

Luneta octogonal

É o caso do novo Royal Oak “Jumbo” Extra-plano 39 mm ref. 16202, criado para celebrar o 50º aniversário do relógio de maior sucesso da marca, cuja principal novidade reside no movimento de corda automática de manufactura Calibre 7121, que substitui o Calibre 2121 introduzido no original. Resultado de cinco anos de desenvolvimento, o novo movimento garante mais autonomia e apresenta uma massa oscilante central esqueletizada em ouro, montada em rolamentos de esferas, com o logotipo “50 anos”.

É caso para dizer que, 50 anos depois, a lenda continua viva.

A Turbilhão é uma revista semestral, especializada na área da Alta Relojoaria e do Luxo.

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