Começou o seu reinado nas pistas e o seu nome foi descoberto por acidente. O Silver Arrow era o elegante carro de corrida da Mercedes-Benz e as suas dinâmicas linhas e velocidade parecem agora ter regressado, mas ao mar sob a forma de iate de luxo.

13c978_14Silver Arrow, duas palavras que nos trazem à memória a imagem de um carro veloz, capaz de, em 1934, atingir os 300 km/h e que envergava o emblema da Mercedes-Benz. A história do nome começou acidentalmente. Assim como os carros de corrida italianos eram pintados de vermelho e os ingleses de verde, os Mercedes-Benz eram brancos. Nessa altura, a Mercedes-Benz ia correr com o seu W25, pilotado por Manfred von Brauchitsch. O peso máximo que qualquer carro podia apresentar eram 750 kg, mas o W25 pesava mais um quilo.

Que fazer? A decisão foi rápida; raspar a pintura. No dia seguinte o carro apareceu em pista com um reluzente alumínio polido, ganhou a corrida e o mito nasceu e ao volante dos Silver Arrow passaram grandes pilotos como o lendário Fangio.

Mercedes-Benz Style Silver Arrow MarineFoi toda esta carga histórica, a velocidade e o elegante e aerodinâmico design daqueles carros de corrida, que levaram Ron Gibbs, um empresário britânico, a avançar com a ideia de trazer até aos mares um iate de luxo que reunisse todos aqueles atributos. A sua empresa, por sinal a Silver Arrows Marine, com escritórios em Londres e no Mónaco, lançou-se neste projecto por volta do ano 2006 e para isso contratou dois famosos designers de iates, Martin Francis e Tommaso Spadolini, para além de ir buscar a colaboração da Mercedes-Benz, nada mais, nada menos do que Gordon Wagener, o responsável máximo pela equipa de designers do famoso construtor alemão de automóveis.

Silver Arrow-2A ideia foi adaptar o luxuoso iate de 14 metros da classe Granturismo da forma mais homogénea possível ao ambiente natural, baseado na máxima de Aristóteles segundo a qual a principal qualidade do estilo é a clareza. A equipa da Mercedes-Benz Style começou de imediato a trabalhar neste desafio que era o de adaptar a linguagem da Mercedes-Benz às proporções peculiares e exigências específicas de um barco.
José Manuel Moroso integrou os quadros do EXPRESSO como jornalista e aí trabalhou em várias áreas durante mais de 20 anos. Foi durante muitos anos responsável pela famosa secção Gente (Expresso), substituindo Pedro d’ Anunciação, passou pela política, foi editor de desporto, editor dos Guias do Expresso e do Livro da Boa Cama e da Boa Mesa e editor da Sociedade. Especializou-se, também, em críticas de vinhos e a escrever sobre relógios. Transitou, depois, para o jornal Sol, acompanhando a anterior direcção do EXPRESSO, onde se manteve nove anos, até ao final de 2015.