Por ocasião da apresentação mundial do Girard-Perregaux Escape Constante, Stefano Macaluso, CEO da manufactura suíça, explicou o funcionamento e as vantagens do novo escape, falou das novas colecções e fez um balanço positivo do último ano da marca.

Qual a diferença entre o Girard-Perregaux Escape Constante que agora apresenta e o concept de 2008?

O Escape Constante foi introduzido pela primeira vez como um movimento concept, em 2008. Agora chegamos com a versão final do movimento. A primeira não podia ser comercializada, não era um produto real. Tratava-se de um protótipo funcional, não era apenas marketing, mas não estava no ponto em que pudesse ser produzido. Agora já temos o produto para venda, com uma arquitectura reestruturada, com uma nova patente e uma caixa redesenhada.

O que distingue o escape constante do escape de âncora tradicional?

A grande novidade em comparação com o escape tradicional é que este último funciona muito bem durante a primeira parte da reserva de energia, mas depois perde torque e após algum tempo o relógio já não é tão regular como no início. Este escape constante resolve este problema, graças à parte em silício e à lâmina ultrafina. A lâmina de silício age como um microacumulador de energia que vai armazenar a energia e depois libertá-la através do balanço. Através da lâmina acumula-se alguma energia, depois esta é pressionada e leva a energia para o outro lado. E a energia será transmitida de forma instantanea e constante. Qualquer que seja a energia do tambor, a energia que é transmitida através do balanço será constante durante toda a reserva de energia. Regressando a 2008, a ideia foi ter um movimento conceptual que provasse a funcionalidade de todo o sistema. Mas tivemos de fazer alguns ajustes ao movimento para ter uma maior fiabilidade ao longo do tempo. Depois tivemos de dedicar todo um movimento a este escape específico para lhe fornecer energia suficiente e para lhe dar a sua força. Para provar a eficiência deste escape começámos com um movimento manual e com uma grande reserva de marcha para provar a sua eficiência ao longo do tempo. Permanecemos numa frequência de oscilação bem conhecida, os 3Hz. Para não adicionarmos muitas complicações quisémos assegurar que a frequência já era conhecida. E a frequência devia ser baixa o suficiente para a lâmina funcionar como um aspecto poético do relógio.

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O novo relógio possui um indicador da reserva de marcha, por que não da potência?

Quisemos fazer uma mistura entre os aspectos técnicos e alguns menos técnicos. Talvez adicionar a potência fosse demasiado técnico para as pessoas menos envolvidas nestes aspectos. Foi uma escolha que fizemos.

A autonomia é de quantas horas?

Cerca de uma semana.

Como descreveria a eficiência energética deste escape em comparação com o escape de âncora?

Estamos na fase inicial deste escape no que diz respeito ao rendimento. Este vai variar no tempo. Este movimento funciona com o torque mínimo para carregar a lâmina. No início da reserva de marcha teremos um rendimento que vai aumentar ao longo do tempo e vai-se chegar a um ponto em que se atinge 20, 25%. Estamos a estudar maneiras de atingir um nível e um rendimento superior a este. Estamos mesmo na fase inicial.

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O escape constante da Girard-Perregaux é uma nova e convincente à eterna preocupação dos relojoeiros: a precisão e a regularidade da marcha de um relógio mecânico. No coração do relógio mecânico reina o órgão regulador, que regula o fluxo de energia recebida do tambor de corda para mover o trem de engrenagens e a velocidade de rotação dos ponteiros. Até agora, na maior parte dos relógios mecânicos, o chamado escape de âncora suíço é o amplamente utilizado. Contudo, este órgão regulador apenas restitui a energia que recebe do tambor de corda e que diminui com o passar do tempo. Esta energia que define a precisão cronométrica é demasiado forte ao início (com a corda toda armada) e insuficiente no final (quando a corda está a acabar).

O princípio de um escape de força constante consiste no facto de este restituir uma energia constante ao regulador (volante), independentemente da energia do tambor de corda. Para o conseguir, a Girard-Perregaux integrou no escape um dispositivo intermédio, que possui uma lâmina extremamente fina que acumula a energia até um umbral próximo da instabilidade e que depois a transmite completa e instantaneamente, antes de começar de novo. A energia é proporcionada por dois tambores acoplados em paralelo, com um novo design, objecto de registo de patente: a tampa e catraca são uma só peça para maximizar a altura disponível e cada tambor contém duas molas sobrepostas em série.

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O primeiro modelo com escape de força constante destaca-se por um design técnico e contemporâneo. O movimento aloja-se numa caixa redonda de 48 mm em ouro branco com moldura perfilada. Para oferecer o máximo de visibilidade ao escape, em forma de asas de borboleta, e à lâmina vibrante, as horas e minutos ocupam um sub-mostrador descentrado às 12h. Este sub-mostrador está rodeado por dois depósitos de energia que constituem os tambores duplos. Linear, a reserva de marcha aparece às 9h. Toda a parte inferior do relógio está reservada ao escape constante, que bate a uma frequência de 3Hz. Por baixo do vidro vêem-se também as três pontes de ouro emblemáticas da Girard-Perregaux, enquanto o fundo em vidro de safira permite admirar, noutro ângulo, a construção tridimensional deste movimento. Com uma pulseira em pele de crocodilo cosida à mão e fecho de báscula, o modelo é proposto numa edição não limitada, dentro da colecção de Alta Relojoaria da Girard-Perregaux.