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Sabia que o primeiro relógio de pulso da história foi feito para uma mulher? Descubra neste artigo a história dos relógios para Ela e conheça alguns dos modelos imprescindíveis em qualquer guarda-jóias feminino.

Para conhecer a história dos relógios femininos temos que recuar até ao início do século XIX. Nessa época a utilização das peças do tempo era praticamente um exclusivo masculino, que usava apenas relógios de bolso. Em 1810, Abraham-Louis Breguet viria a criar o primeiro relógio de pulso da história e precisamente para uma mulher: Caroline Murat, Rainha de Nápoles. Anos mais tarde, em 1869, seria a vez da Patek Philippe apresentar um relógio de pulso, uma vez mais feminino e destinado a um membro da aristocracia, a Condessa Koscowicz da Hungria.

Mas foi apenas no início do século XX que a utilização de relógios pelas mulheres se intensificou, deixando de ser um exclusivo da realeza para passar a agradar às massas, e sempre com a perspectiva de acessório de moda, além de indicador das horas. As peças do tempo eram usadas à volta do pescoço, nos cintos, como alfinetes de peito e, claro, no pulso.

Quanto aos homens, esses continuavam firmes com os seus relógios de bolso, acreditando que os de pulso eram um ornamento usado pelas mulheres para decorar o pulso. E, embora o primeiro relógio de pulso masculino tenha sido criado em 1904 pela Cartier para Alberto Santos-Dumont, apenas a partir dos anos 50 do século passado esta concepção mudou.

Evolução no design dos relógios de pulso femininos

Longines, 1928

Década de 1920

Os anos 20 do século passado ficaram marcados pelo início da era Art Déco e os relógios espelhavam designs rectangulares, ao mesmo tempo que mantinham a estética decorativa ornamentada trazida do final do século 19. A elegância era a palavra de ordem e os relógios deviam combinar com a indumentária e ser o mais pequenos possível, mas com amplo espaço para pedras preciosas e gravações.

 

Longines, 1930

Década de 1930

Apesar da Grande Depressão, e com a era Art Déco em pleno, os fabricantes relojoeiros abusaram da criatividade. Novas técnicas decorativas entraram no jargão da relojoaria e os designs ficaram mais arrojados e expressivos, mantendo sempre um toque de elegância.

Década de 1940

Omega

Devido aos efeitos da 2ª Guerra Mundial, a produção de relógios caiu neste período. Embora o estilo Art Déco se tenha estendido até o início desta década, havia um sentido crescente de sobriedade e simplicidade nos relógios produzidos nesta década.

Década de 1950

No rescaldo da guerra, os relógios produzidos nos anos 50 dividiam-se entre a simplicidade e a opulência, provavelmente porque as empresas recomeçaram de onde tinham parado. Por outro lado, os relógios de pulso começaram a ser vistos como uma necessidade real, dado que as viagens pelo mundo se começaram a tornar cada vez mais comuns. Assim, a praticabilidade foi colocada acima de tudo e foram inventadas numerosas complicações, como as Horas do Mundo e a função de alarme. A criatividade ficou um pouco em segundo plano, embora as marcas continuassem a produzir relógios-jóia para o público feminino.

Década de 1960

 

Neste período, a criatividade regressou em força. Como os relógios geralmente reflectem o zeitgeist, a indústria estabeleceu uma nova linguagem de design enraizada na tradição, mas expressa com muito talento, até um pouco de loucura. As pulseiras apertadas estavam na moda, assim como os relógios de punho. Os relojoeiros dessa época exibiam contenção quase zero e parecia não haver limites quanto ao número de formas que um relógio podia assumir.

A Piaget, em particular, foi extremamente criativa. Experimentando diferentes pedras e técnicas, os relógios da marca eram muito populares entre as mulheres da época.

Década de 1970

A crise do quartzo quase levou a relojoaria mecânica à beira da extinção. Séculos de habilidade, know-how e tradições suíças foram substituídos por relógios de quartzo baratos e precisos feitos na Ásia. Houve empresas que se adaptaram, como a Patek Philippe, a IWC ou a Longines, introduzindo modelos de quartzo nas suas linhas de produtos. E havia outras que se mantiveram firmes na tradição, como a Chopard ou a Audemars Piguet.

Indiscutivelmente, os anos 70 foram os melhores e os piores tempos para a relojoaria suíça. Foi um período difícil para empresas e relojoeiros, mas alguns dos relógios mais importantes da história moderna foram criados nesta década. O Audemars Piguet Royal Oak e o Patek Philippe Nautilus são dois grandes exemplos.

Como os movimentos de quartzo eram mais finos, menores e não exigiam corda manual, a maioria das marcas concluiu que eram ideais para os relógios femininos. Os designs da época tendiam para um estilo futurista marcado por formas geométricas, muitas cores e, ocasionalmente, a palavra “Quartz” orgulhosamente estampada nos mostradores. Ainda assim, os designers mantiveram um toque de elegância, que é a razão pela qual continuamos a ver vestígios das décadas anteriores em muitos relógios femininos dos anos 70.

Década de 1980

Afastando-se dos anos 70, os relógios femininos dos anos 80 exalavam um novo espírito mais elegante, sério, adequado para a mulher moderna que pensa numa carreira profissional. Havia uma estética mais limpa que reflectia a mudança de atitude das mulheres em relação à feminilidade. Ainda assim, a maioria dos relógios continuavam a ser de quartzo. A relojoaria mecânica continuou adormecida.

Omega Constellation

Década de 1990

Neste período, os consumidores começaram a questionar o papel dos relógios nas suas vidas. Por que ter um relógio quando podiam consultar as horas na televisão, no computador ou no painel do carro? E aperceberam-se de que havia relógios e relógios de luxo, estes últimos feitos à mão por um relojoeiro habilidoso, em estrito acordo com a tradição relojoeira, verdadeiras obras de arte mecânicas.

Acordando a indústria do seu sono profundo, essa crescente demanda por relógios mecânicos foi o catalisador que deu início à ideia de coleccionar e comprar um relógio, não para ver as horas, mas simplesmente para admirar a sua beleza.

Breguet Reine de Naples

O novo milénio

Na viragem do século, os relógios mecânicos regressavam às luzes da ribalta. Consumidores masculinos em todo o mundo participavam desse recém-descoberto interesse pela relojoaria, e os seus “apetites” não paravam de aumentar. Enquanto isso, as mulheres observavam e reconheciam que não havia muitas opções para elas. A industria parecia obcecada em superar-se constantemente e criar a próxima “estreia mundial”.

Várias marcas, no entanto, fizeram relógios dedicados às mulheres, em vez de simplesmente versões reduzidas de modelos masculinos existentes. Foi o caso da Breguet que, em 2002, apresentou a colecção Reine de Naples, ou da Omega, que recuperou um ícone feminino dos anos 50, o Ladymatic. Mesmo marcas predominantemente masculinas, como a Panerai, a IWC ou a Breitling começaram a falar directamente com o consumidor de relógios femininos.

Hoje, praticamente todas as marcas de relojoaria mecânica possuem colecções femininas entre a sua oferta. Além disso, nos últimos anos temos vindo a assistir a uma tendência cada vez maior de criação de relógios unissexo, com tamanhos e designs facilmente adaptáveis aos gostos e pulsos masculinos e femininos.

A oferta é ampla e a escolha afigura-se, muitas vezes, difícil. Por isso, a Turbilhão seleccionou alguns dos modelos imprescindíveis em qualquer guarda-jóias feminino.

AUDEMARS PIGUET

Royal Oak

 

 

O mítico Audemars Piguet Royal Oak veste-se de diamantes para dar lugar a uma versão ultra-feminina. Totalmente fiel ao espírito do original, esta declinação feminina apresenta-se numa caixa de 37 mm em aço, com aro revestido de diamantes, mostrador Tapisserie azul noite e pulseira em borracha na cor do mostrador.

Lá dentro, o calibre automático 2385 dá vida às funções de horas, minutos, pequenos segundos, cronógrafo e data.

BREGUET

Reine de Naples

Símbolo de refinamento feminino, o Breguet Reine de Naples nasceu com sangue real. Criado por Abraham-Louis Breguet para a irmã de Napoleão Bonaparte, Carolina, Rainha de Nápoles, este modelo icónico granjeou grande sucesso e é, ainda hoje, um dos bestsellers da Breguet, revisitado pela Maison em diversas declinações.

Aqui destacamos o Reine de Naples 8918, cuja cor vermelha realça a caixa ovóide de 36,5 × 28,45 mm em ouro branco. A luneta e a flange do mostrador exibem 117 diamantes, enquanto a coroa surge engastada com um cabochão de rubi. Na face deste modelo, os numerais Breguet árabes vestem-se também de vermelho e adicionam um toque de cor à escala das horas em madrepérola branca, que culmina com um diamante pêra às 6h. No centro do mostrador, destaque para o ouro branco gravado com um padrão guilhoché clou de Paris.

O fundo da caixa em vidro de safira revela o movimento automático de manufactura, calibre 537/3, com 45 horas de reserva de marcha. O toque final de refinamento é dado pela correia em pele de crocodilo vermelha, cujo fecho exibe 26 diamantes.

BREITLING

Chronomat 32

Elegante e cheio de estilo, o Chronomat 32 de inspiração retro-moderna é o relógio desportivo e chique para qualquer ocasião. Está disponível numa série de materiais, do descontraído aço inoxidável ao bicolor, que combina com tudo, ou até no luxuoso ouro vermelho.

As mulheres que adoram um brilho extra podem optar por lunetas e índices com pedras engastadas e mostradores coloridos. Com a icónica e confortável pulseira «Rouleaux» com fecho borboleta, o Chronomat 32 é movido pelo Calibre Breitling 77 SuperQuartz™, certificado pelo COSC.

BULGARI

Serpenti Seduttori

Com um novo design, que preserva a icónica caixa em forma de gota – estética que advém do modelo Serpenti Tubogas -, coroada por diamantes, os Serpenti Seduttori declinam-se numa colecção que oferece modelos em ouro, aço ou bicolores.

O Serpenti Seduttori apresenta-se mais fino do que nunca e surge acompanhado por uma pulseira flexível com um motivo hexagonal estilizado, inspirada nos relógios Serpenti originais. O toque final é dado pela coroa, que encerra uma rubelite, em homenagem ao ADN joalheiro da Bulgari.

CARTIER

Maillon

Parte da lista das colecções criativas da Maison, o relógio Maillon de Cartier destaca-se pela pulseira, onde os elos surgem alinhados na diagonal, generosos e opulentos, conferindo uma elegância ultra feminina aos modelos da colecção.

No Maillon de Cartier, tudo reside na torção das suas linhas, torção essa que traz uma perspectiva na qual o mostrador do relógio é integrado. A caixa e os elos surgem entrelaçados no mesmo movimento gráfico, através de elos rectangulares, mostrador hexagonal e ganchos na moldura.

CHANEL

J12 Paradoxe

Recortados, separados, ajustados e combinados, o preto e o branco colidem de forma ousada. Um desempenho criativo e técnico que, na parte de trás, revela o Calibre 12.1, um movimento de corda automática criado em exclusivo para a Chanel. Uma composição estruturada, marcada por uma assimetria de cores. De facto, o J12 Paradoxe é bicolor. Dois terços da caixa surgem em cerâmica branca e o restante em cerâmica preta.

Cada secção é presa à estrutura com dois parafusos, que são visíveis na parte de trás do relógio. E o movimento também está contido na moldura. Devido à construção em várias partes da caixa, a resistência à água é de 50 m, em vez dos 200 m do J12 padrão, que possui uma caixa de cerâmica de uma única peça.

O mostrador e a moldura continuam as cores da caixa, mas cada componente é uma única peça que foi tratada para criar um acabamento em duas cores. A moldura de aço é primeiro impressa em preto, seguida por branco na parte superior e, em seguida, coberta por uma inserção de safira transparente resistente a riscos. Da mesma forma, o mostrador é lacado a branco e uma estreita faixa preta.

Apesar das mudanças substanciais na construção da caixa, as suas dimensões permanecem inalteradas, com 38 mm de diâmetro.

IWC

Portofino Lady

Desde 1984, que os relógios Portofino trouxeram um toque de glamour e elegância intemporal ao relaxamento mediterrâneo. Disponível numa caixa de 34 mm ou 37 mm de diâmetro em ouro ou aço, com ou sem diamantes, o IWC Portofino disponibiliza ainda correias em pele Santoni de diversas cores, que podem ser facilmente trocadas, graças a um sistema de troca fácil de bracelete.

Movido por um calibre automático, o Portofino apresenta-se com as funções solotempo, data ou fases da Lua.

OMEGA

Constellation Manhattan

A colecção Omega Constellation Manhattan engloba uma variedade de modelos, nascidos de diversos tamanhos e combinações de materiais.

A Omega revisitou e actualizou recentemente o Constellation Manhattan, mantendo, no essencial, as características base do relógio, mas conferindo-lhes um look mais moderno e leve. Assim, a luneta – engastada com diamantes ou com numerais romanos – é agora mais fina para outorgar uma maior amplitude ao mostrador e as “garras” foram reduzidas e integradas de forma mais suave na caixa. O design da coroa foi também reformulado, com cada um dos entalhes a assumir a forma de uma pequena meia-lua, de forma a ecoar as facetas da caixa. Além disso, o fecho da pulseira disponibiliza um alargamento ajustável, que permite aumentar o tamanho da mesma em cerca de 2 mm, por forma a colmatar as flutuações no diâmetro do pulso ao longo do dia.

Finalmente, os ponteiros foram actualizados e assumem a forma de uma folha esqueletizada e, no que aos índices diz respeito, alguns modelos possuem índices inspirados no horizonte de Manhattan, com destaque para as facetas triangulares da Freedom Tower, enquanto outros possuem diamantes redondos como índices.

O Constellation Manhattan está disponível em ouro Sedna, ouro amarelo, aço e modelos de dois tons (aço/ouro Sedna ou aço/ouro amarelo), em três tamanhos diferentes, 25mm, 28mm e 29mm – sendo os dois primeiros equipados com movimentos de quartzo, enquanto o modelo de 29 mm alberga os calibres Master Chronometer 8700 ou 8701 – e sete cores de mostrador.

PIAGET

Gala

Irradiando enorme feminilidade, o Piaget Limelight Gala Milanese exibe o clássico design da linha Limelight Gala, lançada nos anos setenta do século passado. Com as inequívocas asas assimétricas e alongadas e as voluptuosas curvas da luneta engastada com diamantes, o Limelight Gala Milanese destaca-se pela correia em malha milanesa de ouro rosa.

Disponível com caixa de 32 mm ou 26 mm e aro engastado com diamantes de corte brilhante, este modelo está equipado com um movimento de manufactura automático ou de quartzo (26 mm).

VACHERON CONSTANTIN

Égerie

Em 2003, a Vacheron Constantin lançava a sua última colecção exclusivamente feminina. Baptizada Égérie (Musa em português), esta linha de peças do tempo focava-se num relógio simples de formato tonneau. Agora, 17 anos depois, a marca suíça recupera o nome daquela que foi a última colecção da Maison dedicada exclusivamente a pulsos femininos para dar vida a uma nova linha de relógios exclusiva para mulheres, com um design absolutamente novo.

Inspirada nas complexidades da alta relojoaria e da alta-costura, a nova colecção Égérie destaca-se por detalhes como o mostrador texturizado a fazer lembrar um leque (uma reminiscência do relógio Heures Créatives Heure Discrète que literalmente se parece com um leque), a coroa descentralizada, a janela de data ou de fases da Lua, os numerais árabes e, claro, os diamantes.

A nova linha disponibiliza três modelos distintos: Égérie Data, com caixa de 35 mm em aço com diamantes ou ouro rosa com diamantes; Égérie Fases da Lua, com caixa de 37 mm em aço ou ouro rosa, ambos com diamantes; e Égerie Fases da Lua Pavé, com caixa de 37 mm em ouro branco com pavé de diamantes. Todos os relógios são movidos pelo calibre automático 1088 (1088L, no caso dos fases da Lua) e acompanhados – à excepção das versões em aço – por correias intercambiáveis com sistema de troca fácil (três correias no caso do Égérie Data e do Égerie Fases da Lua, ambos em ouro rosa; duas na versão Fases da Lua Pavé).

Os novos Égérie da Vacheron Constantin dão, assim, vida a uma colecção tradicional e, ao mesmo tempo, contemporânea, que promete conquistar os pulsos femininos.

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